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Thatcher e a terceira via

Margaret Thatcher foi uma das lideranças mais brilhantes do século XX. Dona de uma formação invejável, um pensamento lógico extremamente bem estruturado, uma visão de mundo extremamente bem construída e um pragmatismo implacável, raramente encontrados nos meios políticos, ela foi a primeira, entre os políticos influentes, a apontar, entre outros exemplos, que os gases de efeito estufa estavam “mudando o meio ambiente de nosso planeta de maneiras perigosas e prejudiciais”.

Seu icônico discurso de 1989 na ONU foi um divisor de águas neste sentido. Seu impacto, ao plantar essa discussão nas nações unidas e iniciar um processo de pressão sobre líderes mundiais para tratar o assunto, foi muito maior do que o de Al Gore, muitas vezes colocado como o grande pioneiro na área. Mas infelizmente, como vivemos em um mundo totalmente irracional, muitos fazem questão de tentar esconder o brilhantismo desta mulher incrível, por mera agenda ideológica.

É preciso corrigir essa injustiça, assim como fez Ban Ki-Moon (então secretário geral da ONU) na ocasião de sua morte. Na época ele reafirmou a importância de Thatcher como uma das lideranças pioneiras ao advertir sobre as mudanças climáticas. Também seu papel e sua visão extremamente refinada sobre economia e sociedade que estavam décadas à frente de seu tempo.

Foi uma das primeiras a conseguir conciliar em uma agenda prática, uma economia dinâmica e liberal com a questão ambiental. Também fui uma das que melhor compreendeu o papel do governo como mediador dessas interações. Ponderada e racional, entendia que não adiantava abrir mão de uma coisa pela outra, que precisava harmonizar e conciliar variáveis complexas que, muitas vezes, exigiam uma postura dura e firme do governante, para que a razão não se perdesse em imbróglios políticos e ideológicos, totalmente irracionais. Isto lhe rendeu a alcunha de Dama de ferro e, ao mesmo tempo, uma certa aversão de conservadores e esquerdistas mais radicais, incapazes de aceitar a visão externamente racional e conciliadora que ela trazia em suas ações e discursos.

Além de ser uma estadista notável, uma das principais responsáveis por colocar fim à guerra fria, era também uma estrategista de primeira grandeza. Conseguia visualizar as interações e consequências de decisões em sistemas extremamente complexos. Tinha uma percepção ímpar sobre os problemas e uma visão de longo prazo extremamente refinada. Acima de tudo, não era uma populista, não estava preocupada em agradar um público específico, mas em fazer a coisa certa, me maneira pragmática e visando uma sustentabilidade das políticas no longo prazo. Ou seja, tinha uma coragem que faz com que os políticos de hoje, especialmente os populistas, pareçam ratos se escondendo nos esgotos.

Então, quando me perguntam sobre o que eu sonho como terceira via no Brasil, logo me vem à mente Margaret Thatcher, com seu brilhantismo, racionalidade, visão estratégia e coragem de escolher o caminho pragmático e racional, em lugar de escolher agradar seu público. Me vem essa mulher incrível que estava muito à frente do seu tempo, conciliando agendas importantes de uma forma tão objetiva.

Quem sabe não tenha chegado a hora do Brasil ter sua Thatcher? Quem sabe?

PS: Para quem não conhece o discurso citado no texto basta clicar aqui.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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