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Vamos falar sobre o porquê das coisas não funcionarem no Brasil?

Observe a foto de capa desta matéria com atenção… O que lhe vem à cabeça:
Desleixo?
Imperícia?
Falta de inteligência?
Irresponsabilidade?
Má vontade?
Preguiça?
Negligência???

Todas e mais um pouco. A forma que o brasileiro médio faz as coisas, e isso serve para tudo, é imediatista, egoísta, negligente, descuidada e, até, estúpida…

Nada é tratado com seriedade, não existe uma busca pela excelência técnica, pelo resultado sustentável de longo prazo. Se constroem enormes castelos de areia. O Brasileiro médio é incapaz de planejar, de pensar sobre o futuro e a sustentabilidade do que faz. Não gosta de inovar e aprender, não se preocupa em ter excelência no seu trabalho.

Só quer fazer o que lhe é passado, o mais rápido possível, para tirar aquilo da frente. Mesmo sem qualidade, mesmo sem respeito pelo próximo, mesmo que não resolva definitivamente o problema, mas crie outros.

Se acha criativo, mas é completamente míope. Tem uma mentalidade engessada e retrógrada. Um pensamento linear, pré-Taylorista, incapaz de lidar com a complexidade e antecipar problemas. Acha que quantidade sem qualidade é melhor do que ter algo perene e bem feito. Só pensa no agora, em um alvo, sem considerar o entorno, inclusive o que está por trás.

Por isso não saímos do lugar.

Corremos, corremos, corremos e estamos sempre na lanterna do mundo.

Não dá para cobrar excelência quando a regra do jogo é a da negligência. Não dá para esperar um país melhor quando as pessoas não buscam o melhor, mas apenas tirar o trabalho da frente. Quando as pessoas não planejam e não refletem sobre o trabalho que fazem.

Para mudar o Brasil temos que começar mudando quem somos enquanto profissionais. Já refletiu sobre seu trabalho hoje? Que tipo de pessoa você é? A que quer tirar o trabalho da frente o mais rápido possível? A que aceita qualquer coisa desde que aquilo saia rápido da sua frente? A que não pensa nas consequências futuras do trabalho que faz? A que não pensa na sustentabilidade do que faz? A que acha que entregar qualquer coisa já é melhor que nada?

Não precisa responder. Apenas reflita internamente e pense no tipo de trabalho e, por consequência, de futuro, que estamos construindo para nós mesmos.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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