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Supermercado de gente

Há algum tempo que venho pensando no que é uma balada, em termos filosóficos, e isso me levou a novas reflexões sobre a própria condição humana…

O interessante é que uma balada é o capitalismo moderno, aplicado às relações humanas. Nada mais é do que um supermercado de gente, onde você entra, escolhe o “produto”, degusta e depois descarta. É toda a superficialidade do capitalismo, aplicada às relações entre os indivíduos.

A propaganda deste estilo de vida está ligada aos mesmos princípios usados nas propagandas para vender produtos. Na verdade, esta propaganda tem papel fundamental na própria dinâmica de vendas de produtos.

É a cultura do descartável. Se pessoas são descartáveis, porque produtos e até mesmo a vida humana, não podem ser descartáveis? Tais princípios, vendidos como o estilo de vida atual, servem tanto para vender produtos, como para justificar aberrações, como a famosa frase: “Ninguém é insubstituível”.

Diante de um cenário como este, não me admira que as pessoas estejam vivendo as crises de solidão que muitas pesquisas têm observado atualmente. Afinal, o pior tipo de solidão é exatamente aquela quando você percebe que deixou sua vida correr, enquanto estava cercado de pessoas cujos relacionamentos eram descartáveis. O ser humano precisa de laços para ser feliz no longo prazo, exatamente aqueles laços que se perderam diante da cultura do descartável. As pessoas são sim insubstituíveis, cada uma delas é única, tem seu modo de agir e de ver o mundo. As pessoas não são como uma embalagem de leite que você pode comprar outra igual, com o mesmo gosto. Ao descartar uma pessoa o indivíduo perde a chance de vivenciar as experiências que só aquela pessoa poderia dar.

Por isso, fica a dica. Se alguém lhe faz bem, se alguém é uma pessoa que você julga que vale a pena ter ao seu lado, não espere por outra chance no futuro. Não acredite em viver novas experiências esperando que a vida irá te dar outras oportunidades iguais. Isso não vai acontecer, cada oportunidade com uma pessoa é única e insubstituível. Portanto, se você realmente sente que uma pessoa pode lhe fazer feliz e preencher sua solidão, cultive os laços com a mesma, pois certamente você não terá outra chance de “comprar” uma outra pessoa com o mesmo “gosto”.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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