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O segundo turno do apocalipse

Essa é para quem ainda vem subestimando Bolsonaro como um player importante para a próxima eleição. Pois bem, hoje o instituto Data Folha soltou sua mais recente pesquisa, onde Bolsonaro assume a segunda posição ao saltar de 9% para 15% das intenções de voto, indicando um segundo turno entre ele e Lula, neste momento da corrida presidencial.

Há mais de um ano, quando os índices dele ainda eram de menos de 1%, eu vim aqui mesmo nesse blog e fiz uma análise que mostrava que subestima-lo poderia ser um erro. Muitos continuam achando que ele não tem chances reais de ganhar ou ainda pior, que não será decisivo nas próximas eleições e se trata apenas de uma caricatura… Pois bem, os números, cada vez mais, mostram que estas pessoas não poderiam estar mais enganadas. Bolsonaro aprendeu a usar as redes sociais e está construindo um secto de seguidores capazes, inclusive, de levá-lo à presidência.

Ainnnnn mas Lula ainda está na frente, não está??? Está… com 30% das intenções de voto. Entretanto, isso era esperado já que 30% sempre foi o patrimônio eleitoral do PT, em especial de Lula. O PT tem um piso de 30% desde a redemocratização e deverá continuar tendo. A perda que o partido teve foi predominantemente fora desse piso, naquele grupo que tinha optado pelo partido a partir dos anos 2000. Os 30% serão difíceis de serem revertidos simplesmente porque DOUTRINADOS NÃO MUDAM FACILMENTE DE OPINIÃO…

O mundo pode desabar em seus pés, as provas contra Lula podem ser decisivas, o “amigo” pode arruinar o país, jogar a família do cara inteira na miséria, mas eles continuam “na luta”. O mesmo pôde ser visto na Venezuela, com os defensores do Chavismo, ou na Alemanha, com os defensores do Nazismo. Estes grupos passaram pelo mesmo tipo de propaganda de lavagem cerebral que os petistas e, assim como eles, os petistas defenderão até o fim a ideologia que foi cuidadosamente embutida em suas cabeças. Então não esperem um suspiro de inteligência desse grupo de 30%, pois mesmos as pessoas inteligentes que o compõem (e há pessoas assim neste grupo), estão em uma prisão psíquica tão grande que são incapazes de usar sua própria inteligência para sair dela.

Mas isso não quer dizer que a eleição está decidida a favor do PT.  Entretanto, há duas questões que podem ser decisivas com relação a 2018: (1) Lula estará solto até lá? (2) Mais ainda, terá mais do que esses 30% que sempre compuseram seu patrimônio eleitoral? A Rejeição de Lula é altíssima, da ordem de 44%, enquanto Bolsonaro tem apenas 23% e todos sabemos que rejeição é um dos fatores mais decisivos em uma eleição. O PT já perdeu eleições na década de 1990, mesmo com seu patrimônio eleitoral e mesmo com seu maior trunfo (Lula) isso pode vir a acontecer novamente, por conta do alto nível de rejeição do mesmo.

É claro que tudo isso vai depender muito das demais opções que forem dadas ao eleitorado em 2018 e os erros e acertos dos demais partidos que integrarão a disputa. O PSDB, por exemplo, ainda pode perceber que tem apenas Dória como candidato viável para a próxima eleição, enfraquecendo Bolsonaro. Mas uma coisa é certa: nos rumos em que as coisas estão indo, corremos risco de viver um segundo turno de extremos e se as pessoas não entenderem que a saída passa por uma via de meio, que equilibre os interesses dos grupos que estão em confronto hoje no Brasil, caminharemos para o “segundo turno do apocalipse”… O início de uma guerra da qual o Brasil certamente sairá perdedor.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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