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Reflexões importantes sobre o Brasil

Hoje o Estadão apresentou um editorial que reflete a dura realidade do Brasil. Exalta um dos fatores que levou ao colapso venezuelano e argentino. É importante que todos entendam muito bem o que está por trás desta dinâmica e suas implicações. Em primeiro lugar é preciso entender que a produtividade, citada no artigo em pauta, é o grande pilar da dinâmica econômica. O adequado balanço da mesma é que possibilita a um país estabilizar sua economia e dar boas condições de vida às pessoas que nele habitam.

Uma das principais causas para a baixa produtividade brasileira é o sistema de incentivos, atualmente defendido pelo governo federal, que é mais do que equivocado no que tange a promover a produtividade. Incentiva-se no país a especulação e a acomodação, ao passo que pune-se o trabalho e o investimento. Isto é evidente em uma série de situações, como quando um trabalhador é tributado em 27,5% da já pífia parte que lhe cabe de sua produção, enquanto um especulador o é em 20%, quando ganha milhões para operar em curto prazo na bolsa de valores. Os impactos desta distorção também ficam evidentes nos muitos casos onde as pessoas não querem ser promovidas ou não querem determinado emprego porque perderiam as famigeradas bolsas, pois sentem que o trabalho adicional não compensaria o pequeno ganho financeiro.

Esta problemática reflete uma clássica máxima da gestão. “Diga-me como me mede e como me recompensa (ou pune) que te direi como me comporto.”

O descaso com a educação é um outro fator agravante, cuja responsabilidade atinge os governos em todas as esferas e os próprios indivíduos que não valorizam ou priorizam a educação (muito fruto da primeira questão). Pesquisas recentes têm mostrado que a maioria de nossos universitários são analfabetos funcionais, não teriam sequer condições de estar em uma universidade ou em um curso técnico. Cobra-se das faculdades e universidades que compensem este disparate, este verdadeiro absurdo. Contudo, os professores universitários são profissionais de excelência em sua área de saber e não possuem formação para ensinar adultos a interpretar ou somar (tarefa que é um desafio mesmo para os profissionais de pedagogia).

Questões como a infra-estrutura também são especialmente graves no Brasil. O país apresenta um pesado gargalo energético e logístico que diminui significativamente o potencial produtivo e a competitividade do país. É de se esperar em um contexto como este que mesmo os empresários mais sérios e comprometidos com a produtividade, reduzam sua tendência de investir no país visto que já estamos próximos do limite de fornecimento de itens fundamentais, como energia.

Estamos, como dizem, ladeira abaixo. Precisamos vencer a enorme crise de percepção que permeia o país, antes que sejamos nós os indivíduos marcados como gado, para conseguir um simples prato de comida. Precisamos, todos juntos, lutar por nossa produtividade, lutar por nossa educação, por nossa infra-estrutura. Nenhum governo que não coloque estes fatores como prioridade absoluta, que não tenha feito, em 8 ou 10 anos, nada de construtivo neste sentido, merece nosso voto. Pensem nisto, antes que seja tarde.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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