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Quando uma idéia da à luz um novo homem

Este mês fez 6 anos que tornei público o primeiro trabalho sobre a teoria da Dinâmica Simbiótica. Minha dissertação de mestrado deu à luz aquele que seria o trabalho de minha vida, iniciado 1 ano e meio antes. Este trabalho foi coroado quatro anos depois, com a publicação da lapidação do texto original (que foi feita durante meu doutorado) no 10º Congresso Brasileiro de Sistemas e, posteriormente, na Systems Research and Behavioral Science*.

Hoje, conversando com uma pessoa pela qual tenho grande estima, percebi que das coisas que fiz em minha vida profissional, esta foi, sem dúvida, a mais importante. O grande divisor de águas na minha percepção de mundo e, provavelmente, a base do legado intelectual que pretendo construir. Praticamente tudo que desenvolvi em termos de pesquisas e técnicas gerenciais, desde então, deriva desta pequena idéia original, divulgada em agosto de 2010. 

Uma semente absolutamente simples, plantada enquanto eu tentava entender o problema estratégico, sob a ótica da complexidade. Pela natureza do tema, acabei me deparando com a compreensão de uma série de fenômenos socioeconômicos em uma escala de generalização que eu jamais imaginava, indo do ser humano aos ecossistemas, passando por toda a dinâmica social. Os princípios desta idéia se mostraram capazes de explicar, com muita precisão, muitos dos problemas do mundo em que vivemos.

Apesar da simplicidade, não foi fácil chegar neste resultado. Enfrentei grandes dificuldades em seu começo. Diante das críticas iniciais, dos prazos apertados e dos resultados que não vinham, pensei em desistir. Até que a idéia surgiu de uma maneira completamente inusitada que remete à história de Arquimedes. 😉 Um estalo… Hoje eu olho aquilo que estou escrevendo, os trabalhos que já estou desenvolvendo e os que estão nas filas de desenvolvimento, os trabalhos de outras pessoas que têm caminhado na mesma direção e fico pensando: E se não fosse aquele momento? E se não fossem os desafios e questionamentos que me levaram a esta idéia? O que eu estaria fazendo hoje? Em que estaria trabalhando?

A teoria, em si, eu tenho certeza que não estaria perdida, outros viriam depois de mim e certamente chegariam à sua idéia central… Já eu, certamente seria muito diferente. Provavelmente nem estaria mais dedicando meu tempo à docência e à pesquisa. 

Se não fosse esse momento mágico, ocorrido alguns anos antes, se não tivesse me sido dada a chance de encontrar esta resposta, provavelmente minha paixão pela ciência e a academia já não seria mais a mesma. Foi essa fagulha lá atrás que me deu a vontade de descobrir cada vez mais. Foi essa fagulha lá atrás que me deu sentido para continuar na academia… Talvez por isto, que cada vez que eu vejo florescer um resultado a partir desta idéia, percebo que naquele ponto de bifurcação, não foi o Leo que deu vida à Dinâmica Simbiótica. Ao contrário, foi esta última que deu a mim a chance de viver.

*Para quem tem interesse em conhecer melhor a idéia, visite o artigo publicado na SRBS clicando aqui.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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