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Preconceito ou intolerância?

Fico triste de ver que muitos ainda confundem preconceito com intolerância.
Preconceito significa formar um conceito sobre algo ou alguém que ainda não se conhece, baseado em seus medos e vivências prévias. É o caso daquela pessoa que foi assaltada por um indivíduo com determinadas características e acaba temendo a todos os indivíduos que apresentam aquelas características.
O preconceito quase nunca deve ser visto como algo ruim. Ele trata-se da manifestação de um mecanismo de defesa natural, que em muitos momentos faz sentido e nos ajuda a preservar nossa própria integridade. Por isso, não vejo o preconceito como algo negativo. Trata-se de uma mera artimanha desenvolvida pela evolução, para garantir que você não seja vítima de um mesmo problema por duas vezes seguidas. Ou seja, é algo intrínseco à vida e à própria condição humana.
Agora a intolerância sim me preocupa. Aquele sentimento de completa aversão pelo diferente, mesmo quando se conhece o diferente. É o que ocorre em muitos casos relativos à questão racial, à homossexualidade ou à religião, dentre outros. A outra parte conhece o que incomoda e desenvolve uma profunda aversão àquilo.
Enquanto o preconceito, como mecanismo de preservação pessoal, lhe ajuda a sobreviver e desaparece quando você conhece um caso atípico dentro daquilo que se pré concebia, a intolerância só faz crescer nestes casos. Por isso digo que é importante diferenciar uma coisa da outra.
O preconceito, diferente do que muitos pregam, não é ruim, é apenas um dispositivo de preservação. Sem pré conceber, muitos não estariam aqui lendo esta postagem, pois já haveriam deixado de existir. Agora a intolerância sim é algo que devemos buscar combater. Esta incapacidade de conviver com o diferente é que não faz mais sentido, diante de um mundo cada vez mais povoado e interligado.

Viva as diferenças!

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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