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Por que Marx é história?

Hoje a conversa vai no sentido de explicar o porquê do pensamento marxista não poder ser usado como base para propostas de modelos socioeconômicos.

Damos início a esta reflexão apresentando alguns princípios básicos de lógica…

Inicialmente é preciso compreender que por melhor que seja seu processamento lógico, se suas premissas não puderem ser validadas como conteúdos de verdade, então toda a sua lógica não se sustenta. Pois bem, Marx fez um excelente trabalho ao processar suas premissas, o que ajuda a tornar seu trabalho muito atraente. Contudo, é preciso considerar que ele o fez à luz da teoria econômica clássica e grande parte de suas premissas já foram demonstradas como falsas há cerca de um século, inclusive os principais sustentáculos de sua doutrina que são a idéia do valor associado ao trabalho (teoria do trabalho-valor) e sua perspectiva para os bens comuns.

É FATO mais do que comprovado que tais premissas são falsas, por não explicarem certos tipos de comportamento de escolha. Sabemos disso desde que os neoclássicos apresentaram uma noção de valor muito mais precisa, por meio da concepção de utilidade. Sendo suas premissas falsas, temos que considerar que o raciocínio de Marx é inválido, apesar de muito elegante e atraente. Uma vez que raciocínio de Marx é inválido, todos os raciocínios que o adotam como premissa também o são, porque também não passam no critério lógico de conteúdo da verdade. Uma vez que estes também o são, todos os que deles derivam também o são e assim sucessivamente.

Sem a noção de trabalho-valor, por exemplo, concepções importantes como a mais-valia e a noção de exploração do proletariado não se sustentam logicamente. É por isso que não vimos e não veremos nada que deriva da teoria Marxista dar certo na vida real, inclusive em termos de capacidade preditiva, simplesmente porque ela é INVÁLIDA quando avaliada sob a luz da mínima racionalidade lógica.

É evidente que com isso eu não pretendo negar a importância que Marx teve em seu momento histórico, principalmente porque à luz da teoria clássica, era um dos trabalhos mais refinados e permitiu, inclusive visualizar as contradições desta própria linha de pensamento. Entretanto, é preciso reconhecer que este conhecimento já foi superado pela perspectiva neoclássica, assim como o Lamarquismo o foi pelo Darwinismo na biologia. 

A dificuldade que as ciências humanas e sociais tem encontrado em romper com o marxismo (talvez por este ser tão atraente para uma abordagem politicamente correta), tem levado a uma dramática crise de relevância em grande parte destas ciências, que se baseiam nestes pilares já dinamitados para estruturar seu conhecimento. É preciso reconhecer com urgência em nosso meio acadêmico que o marxismo, assim como tudo que dele deriva, trata-se de um importante marco histórico, mas está longe de ser um paradigma sólido para embasarmos nossas descrições e explicações sobre o mundo contemporâneo    

A necessidade desta ruptura com o marxismo é uma importante questão contemporânea que exigirá dos pesquisadores da área uma profunda reflexão epistemológica e metodológica, para tornar possível a construção paradigmas mais robustos para as ciências sociais e econômicas.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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