You are here
Home > Reflexões > Reflexões Econômicas > O problema de não pagar a dívida For Dummies

O problema de não pagar a dívida For Dummies

Mesmo com um resultado primário de R$ 170bi negativos, há quem ainda defenda que a solução para o país é parar de pagar a dívida. Neste texto, pretendo mostrar de maneira bem didática e objetiva o tamanho de nosso problema e o porque que esta idéia não passa de uma explícita ignorância acerca dos fatos sobre a dívida e as estratégias de financiamento do estado brasileiro ao longo dos últimos anos. Aos mais letrados, me desculpem de antemão a síntese e simplificações conceituais que farei. O objetivo do texto é exatamente este, permitir aos menos versados em economia entendam o tamanho do problema, em poucas linhas de texto. 

Começo por um esclarecimento acerca dos R$ 170 bilhões negativos (deficit) nos resultados primários. O primeiro passo para entender o problema é saber que o resultado primário não inclui a dívida. Ou seja, quando estamos falando que o governo está fechando o ano com um deficit primário de R$ 170 bilhões, ainda não estamos somando o pagamento dos juros da dívida nesta conta, menos ainda de seu principal. Mesmo sem pagar a dívida, já estamos R$ 170 bi no vermelho, graças à dinâmica de gastos explosivos implantada pelo PT, em especial a partir de 2008, ainda no governo Lula (clique aqui e aqui para entender melhor como isso ocorreu).

Neste momento você deve estar pensando: “Então como estamos pagando as contas?”

A resposta é simples, direta e óbvia: “COM DÍVIDA, é claro…”

Então vejam a situação… Já estamos no vermelho em R$ 170 bilhões, sem considerar as dívidas… Mesmo que não paguemos a dívida, ainda assim precisaremos de mais R$ 170 bilhões  para pagar os gastos primários do governo, em um país que não tem mais espaço para impostos. Ai vem a pergunta: “se você parar de pagar a dívida (que temos pago refinanciando a mesma) quem vai te emprestar os R$ 170 bilhões que você precisa para pagar os gastos básicos do governo?” A resposta é simples e óbvia. NINGUÉM. Ninguém empresta dinheiro para um caloteiro.

Além disso, é importante saber um outro fator agravante que está relacionado ao perfil de nossa dívida. Em uma manobra eleitoreira, os petistas internalizaram grande parte da dívida brasileira (o que era dívida externa, virou dívida interna). Isso quer dizer que um calote não seria arcado por credores internacionais, mas por credores nacionais… Brasileiros… Seriam os fundos onde estão o dinheiro que você poupou, sua previdência e por aí vai, que pagariam as contas deste calote… Seria você, pobre brasileiro que seria lesado e obrigado a pagar pela incompetência generalizada.

Portanto, duas coisas saltam aos olhos já nesta pequena análise. A primeira é que cortar R$ 170 bilhões em gastos é algo inevitável, deixando ou não de pagar as dívidas, o governo terá que cortar este valor em gastos para conseguir colocar a casa em ordem. Caso não corte, o pagamento ou não da dívida, mudaria apenas a data em que o colapso das contas públicas ocorreria, levando aos cortes. O segundo ponto é que a opção por não pagar a dívida seria desastrosa para a própria população, visto que a dívida do governo reflete diretamente na mesma. Ou seja, além do colapso do setor público, a população ainda veria o colapso financeiro do país em uma ação como esta.

É por conta desta conjuntura criada pelo PT de Lula e Dilma que estamos nesta situação desastrosa que nos encontramos hoje e além de tudo presos em uma armadilha em que sequer é possível pensarmos em abandonar o pagamento da dívida, sem levarmos o país ao colapso completo.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o assunto, fiz uma discussão sobre este tema na página que pode ser acessada clicando aqui.

Espero ter conseguido explicitar de maneira clara e simples o problema do não pagamento da dívida e ter conseguido deixar claro porque os cortes de gastos são inevitáveis, mesmo diante de uma opção pelo não pagamento da mesma.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

Deixe uma resposta

Top