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O petismo está em luto, mas os petistas não sabem

Não se iludam acreditando que os petistas conseguirão ver algo perto da realidade nos próximos dias… Mesmo após o término da segunda guerra, houveram contingentes da SS que continuaram lutando por mais de um mês, sem acreditar que Hitler havia se matado. Até hoje há oficiais daquela época que acreditam ter feito a coisa certa e pessoas que ainda defendem aquelas aberrações. O petismo foi construído com o mesmo instrumental psicológico. Um conjunto de ferramentas que fez com que até mesmo uma parte significativa da elite intelectual do país embarcasse na idolatria ao nazismo. É uma construção de fé, moldada cuidadosamente ao longo de anos, explorando as principais vulnerabilidades humanas, como a inveja, a cobiça e, principalmente, a insegurança e a carência do indivíduo.
 
As primeiras, ajudam a tornar as pessoas vulneráveis, criando um profundo senso de injustiça sobre onde não há injustiça, facilitando criar inimigos fictícios a serem combatidos, praticamente a idéia de um senso de paranóia, como se o mundo estivesse contra os ideais nobres do partido… A última cria o ambiente perfeito para o apego às idéias, visto que o abandono da fé levaria o indivíduo à perda do porto seguro do partido, praticamente o universo unificador que lhe permite ser visto como alguém, protegido por meio de um grupo…
 
O mecanismo é perfeito e muito difícil de ser rompido, mesmo a mágoa e a realidade tendem a ser negados nesta situação em um comportamento similar ao luto… Se prestarem a atenção, verão que é isso que temos hoje no petismo como um todo…
 
Alguns ainda em negação… Mesmo com a realidade estampada em suas faces… Devido ao poder das técnicas de lavagem cerebral empregadas, os mais frágeis não deverão sequer sair desta fase…
 
Outros estão na fase da ira, ou da raiva… Visível em frases do tipo: “Porque o partido (vulgo meu mundo), porque não o outro”… “Vamos destruir os golpistas”… Todas frases típicas dessa fase do luto… Alguns, principalmente os que não sabem o que fazer após o fim desta fase e que não têm competência ou capacidade para viver em um mundo sem estas idéias, não sairão desta fase e continuarão procurando inimigos para o resto da vida.
 
Um outro grupo (que já emerge com força entre nós) está na fase na negociação. Diferente dos anteriores, este grupo já tem consciência da perda e que ela pode ser irreversível… O indivíduo nesta etapa começa a negociar. Tentar achar caminhos que tragam de volta a esperança… Vemos naqueles que usam frases como: “Mas no tempo de Lula tudo era tão bom, você não acha que ele e o PT merecem um crédito” ???
 
A quarta fase é a pior para o indivíduo, porque é quando ele percebe que a perda é inevitável. Psicologicamente, o indivíduo nesta fase tem consciência que seu mundo desabou e que aquilo que defendia não se sustenta mais… Mas tem dificuldade de aceitar isso, afinal seu mundo se sustenta por aquelas idéias e sem elas, sem o grupo e a proteção, todos aqueles sentimentos de carência e insegurança voltarão a aflorar… É nesta fase que alguns encontram no suicídio a única saída (como houve com vários oficiais da SS após o término da guerra). Minha sugestão… Cuidado com pessoas nesta fase, para não contribuir para um mal maior… Não alimentem isso, mas amparem, pois o próximo passo é a liberdade…
 
Por fim temos aqueles que passarão à fase da aceitação… Quando a perda é reconhecida com paz e serenidade…
 
Felizmente a maioria das pessoas conseguem chegar à aceitação, principalmente as menos fragilizadas pelos processos de doutrinação e alienação… Entretanto, como podem ter visto, é um processo demorado e entender este processo nos ajuda a conduzir melhor a situação, diante da realidade que estamos vivendo…
 
Ninguém sabe ao certo o fim que teremos nesta empreitada e se nosso paciente moribundo realmente encontrou seu fim… De qualquer forma o sentimento de luto é genuíno, por isso, fiquem atentos e sempre, antes de partir para a confrontação, pensem: “Em que fase será que esta pessoa está”?  E lembrem-se que pode não ser culpa dela… As ferramentas usadas por este pessoal são realmente muito poderosas e quem não as conhece profundamente está vulnerável, principalmente se na juventude enfrentou algumas das vulnerabilidades citadas.
Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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