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O monopólio da virtude e a construção de uma mentira: O caso dos 35 corruptos favoráveis ao impeachment

Está cada dia mais notório que a mentira se tornou a marca registrada da esquerda brasileira. Desde a manipulação de dados públicos para ganhar eleições, até a difusão de inverdades e falácias lógicas, que chegam a ser uma afronta à inteligência, a prática de difundir inverdades em defesa dos ideais utópicos tem se tornado, cada vez mais, o único recurso argumentativo de que dispõem. Sempre que se vêm encurralados e sem argumentos para justificar seus dogmas, optam pela mais descabida dialética erística e mostram que o mantra repetido pelos nazistas de que “uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade”, ainda vive flamejante no coração da esquerda tupiniquim.

Uma das mentiras mais em voga no momento tem como objetivo a tentativa de desqualificação do julgamento de impeachment da presidente, por meio da proposição de que os julgadores não teriam moral para julgar a presidente, como se a imoralidade alheia fosse fator passível de absolvição de seus próprio crimes. A mais recente dessas farsas que tenta dar aos defensores do governo o monopólio da virtude, é aquela que correu a Internet nos últimos dias, afirmando que dos 38 deputados que votaram pelo Impeachment, 35 eram corruptos, contra apenas 2 do lado governista.

Além da imagem mentirosa que circulou através das redes sociais a partir de uma série de páginas e agentes pró-governo, entre eles o mestre da baboseira doutrinária (Tico Santa Cruz), a informação também repercutiu pelos sites chapa branca, financiados pelo governo e pelo Partido dos Trabalhadores, como VIOMUNDO, Contexto Livre, dentre outros portais do tipo, conhecidos por difundir desinformação pró-governo.

Imagem mentirosa difundida nos sites pró-governo.
Mais famosa Imagem mentirosa difundida nos sites pró-governo.

Acontece que a informação, como era de se esperar, não só e falsa como uma análise minuciosa do quadro mostra um cenário muito mais desvantajoso ao voto pró-governo do que à oposição.

Para começar, temos que deixar claro uma coisa, que vale para ambos os lados. Ser alvo de inquérito não implica em culpa (não que eu acredite que não sejam culpados, vamos deixar claro), mas um inquérito é, por definição, uma etapa de apuração. É evidente que, conforme as provas são saltando aos olhos, a culpa se torna mais evidente, mas é preciso começar dizendo que o critério escolhido por eles para vender esta imagem já é, por si só, difusão de desinformação. Isto porque, não é possível afirmar que nenhum dos acusados seja corrupto, sem a devida apresentação de provas, pelo simples fato de estarem sendo investigados. Deste modo, o próprio uso do termo corrupto, no caso em questão, já consiste em uma abordagem perigosa.

Entretanto, a mentira é muito maior que um simples abuso semântico. Os números nem de perto correspondem à realidade dos fatos. A figura a seguir (produzida pelo jornal “O Estado de São Paulo”), ilustra quem foram os deputados que votaram contra e a favor do seguimento do processo contra a presidente na comissão especial do Impeachment.

Resultado
Votos dos deputados na comissão do Impeachment de Dilma Rouseff.

Com esta informação, basta uma simples verificação dos processos e inquéritos relacionados a parlamentares, disponíveis no portal Excelências, para listar exatamente quem são os alvos deste tipo de iniciativa da Justiça. Entretanto, este pessoal que trabalha na difusão da desinformação, utilizada para doutrinação nos portais pró-governo, conta com a idéia de que as pessoas que os seguem não irão conferir as informações, lhes concedendo o crédito de fonte confiável ou pior que estas são incapazes de analisar tais dados. Isto efetivamente ocorre, permitindo o alastramento deste tipo de mentira que acaba alimentando a esperança daqueles que vivem o luto petista (ler mais aqui)…

Contudo,  uma análise até simples, neste caso, deixa evidente a fraude que pode ser visualizada a partir da lista a seguir (montada com base nos levantamentos do portal “Excelências”). Nela, fica claro que o cenário não só é bem diferente do que pregam como também não é nada favorável para os deputados pró-governo.

Os 38 Favoráveis

Processos/Inquérito Os 27 contrários Processos/Inquérito
Alex Manente (PPS-SP)

Sim

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)

Sim

Benito Gama (PTB-BA)

Sim

Aliel Machado (REDE-PR)
Bruno Araújo (PSDB-PE) (suplente) Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Sim

Bruno Covas (PSDB-SP) Bacelar (PTN-BA)

Sim

Carlos Sampaio (PSDB-SP)

Sim

Benedita da Silva (PT-RJ) (suplente)

Sim

Danilo Forte (PSB-CE)

Sim

Chico Alencar (PSOL-RJ)
Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) Édio Lopes (PR-RR)

Sim

Elmar Nascimento (DEM-BA) Flavio Nogueira (PDT-PI)

Sim

Eros Biondini (PROS-MG) Henrique Fontana (PT-RS)
Evair de Melo (PV-ES) Jandira Feghali (PCdoB-RJ)
Fernando Bezerra Coelho Filho (PSB-PE) João Marcelo Souza (PMDB-MA)
Fernando Francischini (SD-PR)

Sim

José Mentor (PT-SP)

Sim

Jerônimo Goergen (PP-RS)

Sim

José Rocha (PR-BA)
Jhonatan de Jesus (PRB-RR) Júnior Marreca (PEN/MA)

Sim

Jovair Arantes (PTB-GO)

Sim

Leonardo Picciani (PMDB-RJ)

Sim

Júlio Lopes (PP-RJ)

Sim

Orlando Silva (PCdoB-SP) (suplente)

Sim

Jutahy Júnior (PSDB-BA) Paulo Magalhães (PSD-BA)

Sim

Laudívio Carvalho (SD-MG) (suplente) Paulo Teixeira (PT-SP)

Sim

Leonardo Quintão (PMDB-MG)

Sim

Pepe Vargas (PT-RS)
Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA)

Sim

Roberto Britto (PP-BA)

Sim

Luiz Carlos Busato (PTB-RS) Silvio Costa (PTdoB-PE)
Marcelo Aro (PHS-MG) Valtenir Pereira (PMDB-PT)

Sim

Marcelo Squassoni (PRB-SP)

Sim

Vicente Cândido (PT-SP)

Sim

Marco Feliciano (PSC-SP)

Sim

Vicentinho Júnior (PR-TO)
Marcos Montes (PSD-MG)

Sim

Wadih Damous (PT-RJ)
Mauro Mariani (PMDB-SC)

Sim

Weverton Rocha (PDT-MA)

Sim

Mendonça Filho (DEM-PE)

Sim

Zé Geraldo (PT-PA)
Nilson Leitão (PSDB-MT)

Sim

Osmar Terra (PMDB-RS)

Sim

Paulinho da Força (SD-SP)

Sim

Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)
Paulo Maluf (PP-SP)

Sim

Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Rogério Rosso (PSD-DF)

Sim

Ronaldo Fonseca (PROS-DF)
Shéridan (PSDB-RR)

Sim

Tadeu Alencar (PSB-PE)
Weliton Prado (PMB-MG)

TOTAL

21

TOTAL

16

PERCENTUAL

55,3%

PERCENTUAL

59,3%

Diante do exposto, a mentira fica evidente, não?

Diferente do que foi difundido por esta parcela mal intencionada do movimento governista, dos 38 deputados que votaram a favor do Impeachment da presidente Dilma, 21 estão sofrendo algum tipo de investigação ou processo criminal contra 16 dos 27 deputados que votaram contra. Proporcionalmente, entre os que votaram na comissão do Impeachment, há mais deputados pró-governo com problemas com a justiça (59,3%) do que aqueles relacionados ao movimento pró-impeachment (55,3%), o que nos permite desvelar mais um capítulo de mentiras na tese de que os governistas detém um monopólio das virtudes, enquanto os adversários são a personificação do mal. Pelo contrário, se tomado o critério escolhido pelos próprios governistas nesta última investida, os fatos mostram que os mesmos se encontram muito mais próximos da personificação do mal que tanto dizem abominar, do que aqueles que se opõem aos mesmos.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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