You are here
Home > Opinião > O Brasil que atrapalha: a história de uma jovem humilde, atrapalhada pelo governo

O Brasil que atrapalha: a história de uma jovem humilde, atrapalhada pelo governo

Esta história começa como toda boa história de superação. A jovem Lorrayne Isidoro (esta simpatia na foto ao lado) é uma menina de 17 anos, humilde, filha de ambulante e uma batalhadora. O exemplo vivo de uma pessoa que tem tudo para ser bem sucedida na vida, por meio de seus méritos. Estudante de escola pública, encontrou motivação para estudar, mesmo em um país onde o estudo não é bem visto. Fala duas línguas, além do português, e recentemente teve a honra de vencer a IV Olimpíada Brasileira de Neurociências (Brazilian Brain Bee).

Com esta vitória, Lorrayne conquistou também a chance de participar da Brain Bee World Championship, na Dinamarca. Trata-se de uma importante competição internacional de neurociência, voltada a estudantes, para a qual esta brasileirinha se empenhou muito. Não só nos estudos para conquistar a vaga, como também para tentar aprender o suficiente de Dinamarquês para poder fazer bonito ao representar o país, nesta importante competição.

Mas Lorrayne não contava com uma coisa. No Brasil, pensar é proibido. Vencer por mérito, então, é praticamente uma violação das regras gerais, em um país onde o único guardião do sucesso é um monstrengo chamado governo. No Brasil, o governo extraí tudo da sociedade e escolhe quem serão os empresários, os artistas, os cientistas… as pessoas bem-sucedidas em geral. Diante dessa violação de gostar, pasme, de neurociência, Lorrayne, fruto de uma minoria que o governo diz proteger, se tornou um ícone de como o governo pode se transformar na maior barreia ao desenvolvimento social e individual.

Primeiro, ela descobriu que o estudo dela não estava no caminho desejado pelo monstrengo. Ela não tem o perfil daquilo que o governo julga que precisa fazer sucesso. Afinal ela é um ícone do mérito, tudo aquilo que o governo não precisa para manter sua hegemonia. O governo precisa são de ícones que ele ajudou a criar, mostrando que sem ele, nenhuma vitória seria possível. Como o governo decidiu que o desenvolvimento desta jovem brilhante não era prioridade, vetou o auxílio para que ela viajasse para a Dinamarca para representar o país. Afinal, há outras prioridades no momento. É preciso salvar os empresários que o governo quer que representem o sucesso que ele pode oferecer… É preciso financiar os artistas que o governo quer que sejam engraçados…. Ou mesmo manter todo o esquema de Bolsas para aqueles que vivem de boquinha e idolatram o governo por ser o sustentáculo de suas “vitórias impossíveis”.

Mas Lorrayne não é qualquer uma… ELA TEM MÉRITO, ELA TEM GARRA. Ela construiu tanto valor que mesmo em um país onde imperam distorções bizarras, como a demonização do mérito e a imposição do coitadismo e da dependência como meio para o sucesso, ela conseguiu arrecadar os recursos para a viagem. As pessoas que trabalham e produzem neste país, visualizam em Lorrayne um grande potencial para o desenvolvimento do Brasil. Mesmo com o que o governo toma a cada dia destas pessoas, um grupo decidiu contribuir para sua viagem por meio de uma vaquinha, viabilizando economicamente a empreitada desta jovem notável.

Entretanto, Lorrayne descobriria uma coisa que aqueles mais velhos já sabem: o problema do governo brasileiro não é o fato dele não te ajudar… ELE TE ATRAPALHA… E MUITO.

Esta jovem brasileira corre o risco de não conseguir ir à Brain Bee World Championship na Dinamarca, mesmo com o dinheiro nas mãos, porque o governo resolveu não cumprir o prazo de entrega dos passaportes. Isso mesmo… Por um problema nos contratos com os fornecedores da casa da moeda, os passaportes estão todos atrasando, além do prazo regular. O passaporte de Lorrayne, mesmo com sua viagem marcada, está neste grupo de passaportes não entregues. Não bastasse, a PF não quis fornecer o passaporte emergencial à estudante.

O prazo, antes de 6 dias, agora está em 45 dias, mas não para todo mundo… É lógico que no Brasil, o monstrengo sempre tem uma solução. Uma taxa de urgência de R$ 77,17 a ser recolhida no momento da solicitação. Coisa que Lorrayne, jovem e em sua primeira empreitada internacional, não sabia. Fora informada do prazo regular e não do jeitinho que o monstrengo criou para cobrar mais daqueles que querem receber seu passaporte, PASME, no tempo regular.

Sem saber se poderá viajar para colher sua conquista (mais do que merecida, visto que conseguiu tudo, inclusive os recursos, por mérito próprio) esta jovem de 17 anos esta frente a frente com uma verdade que cada trabalhador brasileiro conhece há tempos… A triste realidade de que nosso setor público transforma a vida de cada brasileiro produtivo em uma provação praticamente insuportável. Ela acaba de descobrir que o próprio governo é a principal barreira ao desenvolvimento social e individual do país… É ele que atrapalha a mobilidade social, é ele que dificulta o sucesso individual pelo mérito, é ele que impede que cada um consiga demonstrar o que tem de melhor… O GOVERNO… Este mesmo monstrengo que promete resolver os problemas deste país, é na verdade a grande causa destes mesmos problemas.

É por casos como o de Lorrayne que peço todos os dias por um Brasil mais justo e perfeito… UM BRASIL COM MAIS MÉRITO E MENOS GOVERNO… BEM MENOS GOVERNO para nos atrapalhar.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

Deixe uma resposta

Top