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Não são as trevas que nos trarão a luz

Depois dos atos de terrorismo perpetrados em Brasília neste 24 de maio de 2017, eu não poderia deixar de me manifestar.

Antes de mais nada, eu gostaria de deixar claro que eu também quero a saída de Temer. Acredito que sua capacidade de comandar o país esteja debilitada e que paira uma enorme nuvem negra sobre a legitimidade da chapa que o elegeu. Mas desejo que isso ocorra pelo mesmo caminho que tivemos a saída de Dilma (a cabeça da mesma chapa financiada com dinheiro sujo, por sinal). Da mesma forma que sempre preguei que manifestações contrárias ao governo Dilma deveriam ser pacíficas e as mudanças de cultura se darem por meio da educação, acredito que isso também deva ser aplicado ao governo Temer e a qualquer outro governo que tenhamos depois dele.

As iniciativas contrárias a qualquer governo devem ocorrer por vias civilizadas e, preferencialmente, por meio do funcionamento (mesmo que capenga) das instituições. Instituições, por sinal, que devemos lutar para fortalecer e não para destruir, como tem sido feito.
Não há vantagem em destruir o pouco que ainda temos de nossas instituições. Não há vantagem em se dar justificativa para que o governo acione o uso da força para conter o caos no país. Não há vantagem em estabelecer o caos em um país que já está em situação tão difícil. As rupturas institucionais da magnitude que os movimentos de esquerda estão buscando, nunca terminam bem. Sempre são sucedidas de caos, perda de liberdade, devastação econômica dentre outros efeitos nefastos que podem demorar muito tempo para serem recuperados. 
É claro que há casos onde as rupturas são inevitáveis, mas este ainda não é o caso de nosso país. Não é o caso, mas pode caminhar nesta direção em decorrência dos meios que vêm sendo sistematicamente adotados por certos grupos, que se beneficiam do caos. Neste sentido, é preciso entender que os meios importam sim, até porque são eles que nos levam aos fins. O que está sendo plantado pelas centrais sindicais e os movimentos de esquerda não é o fim do governo Temer, que creio ser algo desejado pela maioria, mas uma instabilidade que pode custar décadas para o país de recuperar. Uma instabilidade que pode levar, inclusive, à perda de nossas liberdades e/ou ao colapso do país enquanto unidade federativa.

Se queremos um país melhor, temos que começar entendendo que não é com trevas que se combate as trevas é com a luz que abre os caminhos pela escuridão. Governantes são reflexo de um povo e a transformação de uma sociedade deve vir de cada um de nós, agindo como pessoas melhores e se tem uma coisa que me parece claro é que pessoas melhores não incendeiam prédios cheios de pessoas; pessoas melhores não lançam rojões umas contra as outras; pessoas melhores não aceitam a corrupção apenas porque o corrupto defende idéias similares; pessoas melhores não tentam se impor por meio da violência; pessoas melhores não estão dispostas a destruir as gerações futuras por seu bem-estar momentâneo; pessoas melhores respeitam as liberdades e direitos dos demais; pessoas melhores lutam por justiça, sem que para isso tenham que recorrer às injustiças.

Enfim… se queremos melhorar nosso país, sejamos pessoas melhores, sejamos a referência para o que desejamos do mundo, sejamos a luz que nos ilumina para fora do abismo, pois se optarmos pelo caminho das trevas, não podemos esperar nada além de escuridão.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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