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Liberdade, Igualdade e Fraternidade

Liberté, égalité, fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) era o que entoavam os franceses entre 5 de maio de 1789 e 9 de novembro de 1799. Estes ideais, cuja origem remete aos pensadores iluministas, foram a força motriz de uma das mais representativas mudanças no quadro político da humanidade e repercute no coração das pessoas até os dias de hoje.

Ao se analisar as recentes manifestações ocorridas no mundo árabe e na América Latina, especialmente no Brasil, percebe-se que os problemas apontados mudam, mas a causa final pela qual as pessoas lutam ainda gira em torno desta notável tríade de palavras. O povo ainda quer liberdade (inclusive para escolher quem o governa e como o governa), o povo quer igualdade (aquela igualdade que leva em consideração o mérito, que significa igualdade de oportunidades e de direitos) e o povo quer fraternidade (inclusive de seu governo para com a população).

Mas infelizmente, mesmo passados mais de 200 anos, as falsas democracias e as novas formas de ditadura que dominam o globo, não conseguiram atingir o nível de maturidade para que a população possa vivenciar a experiência proposta pelos Iluministas. A bastilha caiu e com ela o governo Francês, houve mais liberdade, houve mais igualdade, mas faltou a fraternidade.

Na tentativa de se aprimorar uma das três palavras, o grande bloco capitalista se apegou à ideia da liberdade e destruiu a igualdade e a fraternidade. Já os comunistas e socialistas, tentaram construir suas nações com base na igualdade, em detrimento da liberdade e da fraternidade. Enquanto isso, a pobre da fraternidade nunca teve sua vez em um estado moderno.

Não era de se esperar que, neste contexto, a palavra escolhida por cada nação também desmoronasse com o tempo, afinal é um tripé, só pode sobreviver de maneira sólida quando os três pilares forem robustos. Não tardou para que a maioria dos países capitalistas passasse a viver em uma falsa ideia de liberdade, com as pessoas isoladas em suas prisões psíquicas. Enquanto isso, os desvios de conduta dos países socialistas e comunistas, destruíram e minaram o pilar da igualdade que tanto se esmeraram em construir, ao criar mecanismos impositivos que distinguiam os indivíduos em seus direitos, inclusive sua própria liberdade.

Atualmente, vivemos um momento ímpar na sociedade brasileira, uma possibilidade única de se estabelecer o tripé. Mas não podemos nos focar em problemas específicos, a mudança tem que ser sistêmica. Temos que ter claros os 3 ideais que sustentam tudo que está por trás deste sonho secular de sociedade.

É preciso retomar nossa LIBERDADE efetiva, por meio de uma reforma política que proporcione uma democracia real, uma legislação que seja capaz de punir as violações de direito, que simplifique a vida das pessoas, permita a livre iniciativa e que possibilite uma ampla e irrestrita liberdade de expressão. Temos que lutar por um país que de IGUALDADE de oportunidade a todos, onde a educação assume papel fundamental e precisa de uma valorização urgente. Temos que buscar a FRATERNIDADE do povo para com o povo e também das instituições para com o povo, o que só é possível com respeito mútuo que leva à melhoria da qualidade dos serviços, tanto públicos como privados e a exclusão imediata e punição de todos os que envergonham estes ideais e agem de maneira egoísta e mesquinha (fato comum em nossa sociedade atual).

Para encerrar clamo ao povo que não deixem de lutar. Se inspirem naqueles que, antes de nós, lutaram para mudar o nosso mundo e tiveram sucesso. Se inspirem nos ideais de um mundo melhor e mais justo. A transição pode ser dura, mas se persistirmos, o futuro será promissor. Enfim, como entoavam os filhos da revolução francesa… Avante, filhos da Pátria; O dia da Glória chegou!

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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