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GREVE ou TERRORISMO?

Neste dia 28 de abril de 2017 a CUT convocou a população para uma “greve” geral, sob o pretexto de protestar contra as reformas trabalhistas e da previdência. Pois bem, não vou nem entrar no mérito do que realmente motivou a dita “greve”, pois as discussões entre as centrais sindicais e o governo, para abrandar a resistência às mudanças em troca da manutenção do imposto sindical (clique aqui para saber mais), são suficientes para mostrar os reais interesses por trás dessa manobra.

Também não vou entrar no mérito do direito de greve, pois este é indiscutível para qualquer trabalhador livre…

Hoje eu vou me concentrar em um outro ponto do que aconteceu hoje… Os abusos semânticos daqueles que defendem a violência e a privação das liberdades individuais de terceiros como algo inerente ao direito de greve. Pessoas que acreditam de depredar, agredir, incomodar e privar as pessoas de suas liberdades individuais, inclusive as de trabalhar e de ir e vir, são fatores intimamente ligados ao direito de greve ou à liberdade de expressão…

Pois bem, não são… E para ajudar a acabar com tais abusos semânticos eu vou recorrer a um livro que todos deveriam consultar antes de distorcer as palavras para tentar ocultar as reais intenções por trás de um dado movimento… O DICIONÁRIO.

Vamos lá… Vamos começar pelo significado da palavra Greve…

GREVE
1. Cessação voluntária e coletiva do trabalho, decidida por assalariados para obtenção de benefícios materiais e/ou sociais, ou para garantir as conquistas adquiridas e ameaçadas de supressão.

Para quem tem dificuldade de entender, vou ilustrar… As imagens a seguir são de greves.

Esclarecido que greve é “cruzar os braços” voluntariamente e não tem nenhuma relação com violência ou imposição da mesma a terceiros, vamos à próxima definição importante… A de protesto… Outra palavra que tem sido usada inadvertidamente para sustentar o direito de certos grupos de imporem sua vontade sobre terceiros…

PROTESTO
1. Ato ou efeito de reclamar; queixa, reclamação. 2. grito, brado de repulsa ou de não concordância com relação a (algo).

Para quem tem dificuldade de entender, vou ilustrar… As imagens a seguir são de protestos.

Podem perceber que em momento algum estes se referem ao uso da violência. O protesto é um ato de expressão de uma discordância em relação a algo… Vamos então ao ponto nevrálgico da questão que expõem a verdadeira natureza dos atos autoritários conduzidos por certos grupos, inclusive com a anuência de algumas centrais sindicais… O TERRORISMO… Isso mesmo, a palavra que define certas ações deste movimento é exatamente esta, como podemos ver a seguir:

TERRORISMO
1. Modo de impor a vontade pelo uso sistemático do terror. 2. Emprego sistemático da violência para fins políticos, esp. a prática de atentados e destruições por grupos cujo objetivo é a desorganização da sociedade existente e a tomada do poder. 3. Ameaça do uso da violência a fim de intimidar uma população ou governo, ger. motivada por razões ideológicas ou políticas.

Isto que vocês vêm a seguir é TERRORISMO!

 

Como podem ver, muito do que tivemos hoje, sob pretexto de que “greve e protesto” precisam incomodar, não foi greve, como alguns têm sistematicamente insistido em afirmar. O que tivemos em muitos momentos não ficou restrito ao grito de não concordância ou ao cruzar os braços… O que tivemos em vários momentos deste 28 de abril, foram atos claros e cristalinos de TERRORISMO em sua forma mais pura, com pessoas utilizando atos sistemáticos de violência com fins políticos, visando impor sua vontade sobre os demais.

Agora pergunto: “o que o governo e a população farão contra tais ações”? Quem sabe seja este o momento para pararmos e refletir que tipo de sociedade queremos ser e até onde vamos tolerar a violência como meio de imposição da vontade política de certos grupos.

A minha resposta eu já tenho e você?

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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