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Facebook e o renascimento do controle da informação

Recentemente o Facebook implementou em seu sistema a possibilidade de você patrocinar suas próprias postagens. Para que o negócio fosse viável, o site americano reduziu o alcance dos posts feitos, fazendo com que apenas uma pequena parcela de seus amigos e assinantes fossem atingidos por suas postagens. É um novo modelo de negócios que começa a surgir no mundo digital, mas que ressuscita uma antiga forma de controle da mídia.

O Facebook percebeu que pagar pela inscrição, como muitos temem, é obvio que não vai rolar. Uma vez que as pessoas querem ser ouvidas, é a audiência o produto a ser vendido. O publico é o que precisa ser cultivado e os veículos de mídia farão de tudo para ter cada vez mais pessoas cadastradas para “ouvir”. Portanto, não esperem cobranças do acesso à rede social.

Mas ser ouvido é algo que realmente tem um apelo forte. As pessoas desejam ser ouvidas e, por isso, estão dispostas até a pagar para isto. Esta é a estratégia clássica da televisão que parece estar sendo reciclada com novos moldes na Internet.

Para aqueles que ainda acreditam na Internet como um espaço livre para se expressar, temo em informar que no fundo o que parece ter havido foi apenas uma mudança da mídia e do alcance e da pulverização. O caminho natural continua sendo que só haja “ouvidos” para quem estiver disposto a pagar pelo acesso a eles. No lugar de um modelo de internet libertadora, o que temos é o ressurgimento do velho modelo da televisão. Onde a audiência você “paga” para atrair, enquanto cobra de quem vai falar a esta audiência.

A única coisa boa que ainda consigo ver em tudo isso, é que o acesso aos ouvidos ainda caminha para ser mais barato e pulverizado na Internet do que nos meios clássicos, devido a oferta de espaço que encontramos em cada tipo de mídia.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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