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Era uma vez um experimento socialista

Há cerca de 2 anos participei de uma discussão onde defendi a tese de que a Venezuela era uma Ditadura populista fadada ao colapso e à pobreza extrema. Naquela ocasião, alguns defensores das vertentes socialistas e populistas me ofenderam, denunciaram minhas postagens e meu perfil no Facebook e impuseram uma defesa árdua de que a Venezuela era uma referência de democracia popular. Um exemplo a ser seguido por outras democracias, dentre elas o Brasil…

Um dos “gênios” chegou a postar um vídeo de um professor de Oxford falando sobre as maravilhas da democracia venezuelana, como se isso fosse uma prova irrefutável do sucesso do pensamento de esquerda da América Latina. Segundo estes indivíduos, os países que seguiam este molde, como o Brasil, estariam invariavelmente destinados à riqueza e à prosperidade de sua população, uma vez que enfoque popular de sua democracia daria força ao trabalhador e traria maior igualdade, evitando o acúmulo de capital nas mãos de poucos. Principalmente porque as enormes riquezas destes países, em especial o petróleo, seria absorvida por um estado provedor que acabaria com a pobreza…

Como sempre, o tempo mostra que a razão supera as paixões ideológicas. A Venezuela (que tanto encantava aquele pessoal) se transformou no inferno na terra… Um estado policialesco que tem executado pessoas sem o devido processo judicial (clique aqui para saber mais) e que se encontra em estado de guerra civil. Um país cuja economia encontra-se completamente arruinada… Tão devastada que nem mesmo sua riqueza em petróleo tem conseguido compensar o estrago feito pelas iniciativas governamentais, pró distribuição de renda.

Mesmo já sendo sabido há mais de um século que tais abordagens, pautadas em distribuição forçada de recursos, são uma receita para a ruína, ainda há quem insista em repetir os já fracassados experimentos de caráter socialista, como se os caminhos do fracasso fossem magicamente se transformar em um pote de ouro no final de um arco-íris. Ignoram que, além de desincentivar a produção (leia mais aqui), a restrição à acumulação (que é imposta por este tipo de abordagem econômica) impede o investimento e a correta alocação de recursos extremamente escassos. Ignoram a já provada (empírica e matematicamente) incapacidade do estado de gerenciar a adequada alocação de recursos escassos em uma economia complexa, em especial os bens de capital, o que normalmente deteriora a riqueza, levando toda a sociedade à ruína.

Mergulhada em escassez, a Venezuela é mais uma triste prova de que as visões pautadas no socialismo estão fadadas ao fracasso. Por mais que se reinventem, são falhas em seus princípios mais básicos… Em uma busca irracional por uma igualdade inatingível que viola os mais básicos princípios da economia e da psicologia comportamental, condenam sociedades inteiras à miséria…

Assim, aquele que era para ser o mais bem sucedido experimento socialista do século XXI (segundo seus próprios defensores), está repetindo exatamente os mesmos resultados dos fracassados experimentos do século XX. A Venezuela se transformou em uma nação regida por uma ditadura… Um país tomado pelo império da fome, do crime e até mesmo de pestilências medievais, como a Sarna (leia mais aqui). Com isso, somamos mais um fracasso à interminável lista de experimentos socialistas na economia. Um fracasso ainda mais retumbante e devastador do que os anteriores… Mais uma prova que a visão socialista da economia realmente tem sucesso em atingir a igualdade, mas o faz reduzindo a sociedade à mais devastadora miséria humana.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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