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Enfim um avanço para a carreira docente

Enfim impera o bom senso… Decisão da Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou pedido de equiparação de salários feita por professor de Direito Civil da UNIP.

Forma-se, com isto, uma jurisprudência neste sentido que permite às escolas tratar os profissionais do magistério de acordo com suas atribuições REAIS e inerentes à sua área de formação.

Por que considero este um importante avanço? Pois professores de áreas distintas não podem ser comparados em suas atribuições por uma série de motivos. Dizer que um docente de letras, medicina, engenharia e administração faz a mesma coisa é negligenciar as enormes diferenças que existem na base de formação, pesquisa e mesmo na prática docente e de mercado destas áreas. Se mesmo em uma mesma área as diferenças na formação necessária e nas práticas são significativas, imagine entre áreas.

É evidente que há áreas onde bons profissionais são muito mais caros e demandados do que em outras. Ao nivelar salários, isso acaba por incorrer em um processo que afasta os bons profissionais de cadeiras que exigem habilidades mais valorizadas pelo mercado, ao passo que supervaloriza aqueles que estão em áreas menos demandadas.

Este vício de ver professores sempre com o mesmo olhar, como se todos exercessem a mesma atividade, emperra a geração de planos de carreira efetivos na atração de bons profissionais, uma vez que força as universidades a contratar profissionais com habilidades, competências e formação técnica distintas, pelo mesmo preço. Com isto, cursos importantes e mesmo áreas importantes destes cursos, acabam sofrendo com a falta de profissionais qualificados.

É preciso reconhecer com URGÊNCIA que a prática docente é uma atividade carregada de distinções inerentes ao campo e que estas distinções exigem de qualquer Faculdade ou Universidade séria, a formação de planos de carreira distintos para cada campo e até mesmo a liberdade de negociar salários de acordo com as competências e necessidades demandadas pelo curso e pela instituição, assim como ocorre em qualquer outro setor sério.

Já passou da hora das Faculdades e Universidades pensarem o plano de carreira focado na área do exercício profissional. Deste modo,  um tribunal reconhecer esta distinção é um primeiro e grande passo para melhoria do ensino superior.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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