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É um erro criticar Marina Silva por ser contra a intolerância

Neste dia 15/05 Marina Silva proferiu uma frase de grande sabedoria, mas que foi intencionalmente distorcida pela mídia, principalmente por alguns jornalistas mal intencionados, para tentar desmoraliza-la.

Ela disse: ” É um erro criticar Feliciano por ser evangélico.”

Rapidamente os nossos queridos jornalistas formaram uma avalanche oportunista visando ligá-la ao referido deputado.

Ora, na mesma declaração ela afirmou que era contra a presença do deputado na Comissão de Direitos Humanos, pois este tinha posições equivocadas. Poucos dias antes afirmara que: “Feliciano é “despreparado” e “jamais poderia assumir” a referida comissão.

Sua preocupação evidente é o cunho de aversão religiosa que está sendo dado ao problema em questão e não o que alguns jornalistas mal intencionados estão tentando fazer por meio do recorte específico da fala de Marina que vem sendo apresentado totalmente fora de contexto.

Marina é evangélica, falava a evangélicos e sabe das implicações deste tipo de preconceito como ninguém. Foi vítima disso por longo período de sua vida, inclusive na última eleição, quando recebeu críticas diretas por este motivo.

É evidente que Feliciano também vem sendo criticado por outras coisas, mas não dá para negar que o deputado também vem sendo alvo do mesmo tipo de críticas e gozações por sua convicção religiosa, assim como não dá para negar que isso é um erro tão grotesco e tão leviano quanto as próprias declarações homofóbicas e racistas do referido deputado.

Note aqui que não sou evangélico, pelo contrário, é uma fé que professa coisas que não acredito serem compatíveis com aquilo que desejo para minha vida. Mas julgar alguém por sua fé é algo tão irracional quanto julgar alguém por sua cor. Há evangélicos racistas? Sim Feliciano é a prova viva disso, assim como há, ateus racistas, católicos racistas, judeus racistas e assim por diante.

Mas também há evangélicos que são exemplos vivos de humildade e respeito pelo próximo. Já tive o prazer de conhecer vários, inclusive no ambiente acadêmico, fazendo mestrado, doutorado e grandes pesquisas em grandes universidades brasileiras (sim, ser evangélico não é sinônimo de ignorância, como muitos pregam).

Portanto, diferente do que alguns tentam passar, Marina está certa em sua preocupação. Mais do que certa, na verdade. É um erro criticar Feliciano por ser evangélico, assim como é um erro criticar qualquer um por sua fé. É um erro criticar Feliciano por ser evangélico assim como é um erro criticar qualquer um por sua cor. É um erro criticar Feliciano por ser evangélico, assim como é um erro criticar qualquer um por sua opção sexual.

Criticar uma posição discriminatória é algo que se espera de qualquer indivíduo com caráter e senso moral. Assim como ela criticou Feliciano pelos equívocos que este comete ao discriminar negros e homossexuais, ela também critica aqueles que fazem o mesmo ao discriminar Feliciano por sua religião. Em essência, ambos estão fazendo a mesma coisa, discriminação baseada em relações de causa e efeito que simplesmente não existem e podem levar ao fomento da intolerância.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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