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E quando só sobrarem os parasitas?

Hoje comecei meu dia “catando merda” (literalmente), como faço religiosamente. Faço isso por acreditar que tudo o que temos de bom em nossa vida vem de nossas escolhas e tem um preço a ser pago. Mais ainda, acredito que este preço deve ser pago por quem faz estas escolhas e usufrui dos benefícios. Essa lógica move minha vida, minhas escolhas e minhas ações diárias.

Enquanto pagava um dos muitos preços de ter uma das melhores coisas que tenho em minha vida (meus 3 cães), eu pensava na situação do país e em meu mal estar em ser obrigado a pagar, além do preço das minhas escolhas e dos meus benefícios, o preço das escolhas e benefícios dos outros. Pensava nas ações deste atual governo, louco por onerar ainda mais a minha já insana vida de trabalho, para não transferir os custos de seus erros para aqueles que os elegeram.

Pois bem, nada tenho de relação com os erros do governo PT e mesmo avisando, propagando conhecimento que mostra claramente as ações incompententes e as conseqüências dos erros que os mesmos vêm insistentemente cometendo, mais uma vez sou um dos muitos escolhidos a pagar o preço de decisões das quais fui contra e de benefícios que nunca recebi. Não bastasse, este mesmo governo corrupto ainda vende a imagem que os que trabalham e produzem para sustentar esta lambança que fazem, são vilões, são os culpados pela miséria dos inertes.

Mas não meus caros, é necessário reestabelecer a verdade… O brasileiro honesto e produtivo não é um vilão, é um pobre coitado, parasitado* diariamente por um grupo ardiloso de pessoas que, em um esquema de cumplicidade nunca antes visto entre pobres e extremamente ricos, articulou um sistema de parasitismo estatal que tira daqueles que deveriam ser os principais beneficiários do trabalho, para redistribuir àqueles que expropriam e aqueles que gozam da inércia remunerada… E não me venham com mimimi imposto, porque é claro para qualquer um que domina o mínimo de economia sabe que quem paga a conta é quem produz, se não produz é parasita recolhendo impostos por meio da produção de terceiros.

Este quadro pode até parecer algo menor, mas é deprimente viver em um país onde quem mais paga os preços de todos, é tratado como vilão pelo próprio governo, simplesmente por ter se cansado de ser vítima da escravidão estatal. Onde quem leva uma vida honesta e de trabalho é visto como um provedor obrigatório daqueles que passam a vida pensando de onde vão tirar a próxima boquinha e quando chamados a pagar o preço de suas escolhas, bradam pelo socorro de um governo ainda mais parasita do que os primeiros.

Acontece que o Brasil produtivo está se cansando. Muitos estão simplesmente desistindo. Muitos já estão pensando em como viver de boquinha, ou qual é o aeroporto do próximo destino… Diante disso, me pego pensando: “E quando só sobrarem os parasitas?”

*Parasita
1.bio diz-se de ou organismo que vive de e em outro organismo, dele obtendo alimento e não raro causando-lhe dano.
2. pej. diz-se de ou indivíduo que vive à custa alheia por pura exploração ou preguiça.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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