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Como o petismo varreu o desemprego para debaixo do tapete

Das manobras numéricas do petismo, para vender seu mundo da fantasia, a pior foi sem dúvida aquela relativa ao desemprego que assolava o país. Os belos números, que orbitavam os 5% a 6% realmente chamavam a atenção do mundo, mostravam um país de pleno emprego e com oportunidades para todos. O que muitos não sabiam é que estes números, “criativamente” manipulados, escondiam uma situação tão devastadora quanto aquela das contas públicas, maquiadas com o mesmo tipo de subterfúgio.

Neste momento você pode estar atribuindo tudo isto à crise, mas os números sempre foram gigantescos na era PT, sendo o pior número desde a era Collor, pertencente a Lula, em 2007. Entretanto, desde que a metodologia foi mudada, o desemprego foi tratado como tendo sido resolvido por essa simples canetada, mesmo vindo batendo recorde atrás de recorde. A excessão fica para os anos de 2011 e 2012 em que a nova matriz econômica criou uma bolha econômica no Brasil focada, exatamente, na redução do desemprego por vias da elevação do consumo. Processo que como já dizíamos na época era insustentável e nos legou a atual situação econômica do país.

Mas mesmo neste ápice do governo petista, bastava olhar os dados do DIEESE ou do próprio IBGE para perceber que algo ia muito mal. Em outubro de 2012, enquanto os números difundidos pelo governo falavam em 5,3% de desemprego, o DIEESE falava em 10,5%. Entretanto, mesmo os dados do DIEESE eram otimistas. Para aqueles pacientes, bastava levantar os dados do próprio IBGE para perceber que se fossem incluídas as pessoas desocupadas, os trabalhadores não remunerados, as pessoas que vivem de bicos que rendem menos do que o salário mínimo, as pessoas marginalmente ligadas à PEA e, principalmente, as pessoas chamadas de desalentadas, os números daquele ano (o melhor ano em termos de desemprego na era petista) ficaram todo o tempo acima dos 20% da PEA, atingindo picos de 25% da PEA. Isso sem considerar as pessoas subocupadas, que levariam estes números a patamares assustadores, principalmente em 2007, quando os números de Lula mostravam um dos países com maior desemprego real do mundo – ver gráfico a seguir, construído levando-se em consideração as pessoas listadas acima.

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Taxa de desemprego Real no Brasil

Hoje, em plena crise legada pelo petismo, a situação não é diferente. O Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem emprego… ISSO MESMO. 63,9 milhões. Um dos números mais representativos de nossa história moderna, deixado, PASMEM, pelo partido dos TRABALHADORES. Estes números não são uma novidade e acabaram escondidos pelas macabras manobras criativas dos governos petistas que se tornaram peritos e inventar acrobacias numéricas para vender seus governos. Em sua perspicácia, inventaram, por exemplo, uma classe de pessoas que não fazia mais parte da PEA, pois “não estavam procurando emprego”… os famosos DESALENTADOS que representam uma parcela significativa da PEA. Além disso, modificaram a metodologia para que todo tipo de renda ou trabalho, mesmo não remunerado, fosse computado como emprego, gerando distorções como considerar empregado o cara que faz malabarismo em semáforos ou o filho que substitui o pai no camelódromo, dentre outros.

Foi assim, escondendo o cara que dá o sangue para não morrer de fome em um semáforo e aqueles desalentados que desistiram da busca por um emprego virtualmente impossível, que o PT ocultou seus números desastrosos de desemprego. Foi desistindo exatamente daqueles que mais precisavam, varrendo-os para debaixo do tapete, que os governos petistas venderam o seu país das maravilhas, legando ao povo, nada mais do que escombros daquilo que poderíamos ter sido, se os problemas reais tivessem sido tratados com a seriedade que mereciam ao invés de serem transformados em mera estratégia de propaganda.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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