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Brasil: um país com problemas na alocação de recursos

Se queremos EFETIVAMENTE acabar com a fome, o primeiro passo é reconhecer que o tamanho do MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME é completamente inadequado para a realidade nacional. Este ministério, cujas principais atribuições, exceto a manutenção das famigeradas bolsas, podem ser facilmente exercidas pelos ministérios da Educação e dos Transportes, vai consumir em 2015 R$ 75.422.190.831, gasto abaixo apenas de Previdência, Saúde e Educação (nesta ordem). Um gasto 754% maior do que o ministério da Ciência, Tecnologia e inovação e 3968% maior que os gastos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ministérios cujo potencial de alavancagem econômica, para tirar a população definitivamente da pobreza de forma sustentável, é infinitamente maior.

Planejamento, Orçamento e Gestão é outro ministério cujo orçamento não faz sentido. Consome R$ 21.174.415.780 no ano, um gasto 1041% superior ao do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Como podemos considerar que um ministério do planejamento que sequer percebe tais disfunções, merece um orçamento tão elevado? O mesmo tipo de disfunção se desenvolve em todo o orçamento público, onde ministérios enormes, como o da Fazenda, possuem atribuições de pouco impacto econômico e social efetivo e sustentável, e monopolizam grandes fatias dos recursos públicos que poderiam estar sendo usados em outras áreas cujos resultados seriam melhor aproveitados.

No âmbito do investimento, por sorte ainda temos um orçamento razoável para Minas e Energia, mas ciência e Tecnologia, por exemplo, temos apenas em torno de R$ 35,6 milhões destinados a investimento. Portos, outra área em que estamos completamente sucateados, cerca de R$ 754,4 milhões. Mas não se preocupem porque os investimentos na Receita Federal, aquele órgão cujo objetivo é massacrar a população com um pente fino de impostos, tem um orçamento de cerca de R$ 6,6 bilhões, o segundo maior orçamento de investimento do país, bem acima dos R$ 80mil (Pasme é isso mesmo, não dá para comprar um carro um pouco melhor) destinados aos investimentos em transporte, os R$ 277 milhões destinados aos investimentos em saúde e o ZERO destinado aos investimentos em educação.

Os dados aqui apresentados podem ser vistos nos anexos II e IV do orçamento federal de 2015. Aí pergunto… Como podemos pleitear ser um país desenvolvido se claramente, O FOCO DO GOVERNO NÃO ESTÁ NO DESENVOLVIMENTO. Se aos pontos chaves do desenvolvimento são destinados orçamentos muito aquém daqueles destinados a uma estrutura inchada de gestão. Pior, se o governo vem adquirindo uma dívida pública cada vez maior, que consome nossos parcos recursos, e destina os resultados desta captação a gastos cujo retorno econômico no médio e longo prazo é inexistente? Como pretendemos pagar esta dívida se tudo o que fazemos é consumir os recursos captados por meio desta dívida, sem o menor compromisso com o EFETIVO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO PAÍS?

Há algo de muito errado com a alocação de recursos que vem sendo feita pelos nossos governos ao longo, principalmente, dos últimos 8 anos. Vivemos em um país que deixou de lado o desenvolvimento, abandonou a oportunidade de crescer e transformou aqueles que poderiam ser os pilares do verdadeiro desenvolvimento, em fator secundário. Não bastasse, um país que optou por captar por meio de endividamento, recursos além de sua capacidade de pagamento, para aplicar em ações cujo resultado de médio e longo prazo é nulo, destruindo o pouco de recursos escassos que o país ainda tinha para investir em seu futuro.

Diante desta má alocação de recursos, a atual situação de crise do país, preso em uma encruzilhada na qual o aumento de receitas está cada vez mais difícil e os juros pagos cada vez mais elevados, era perfeitamente previsível. Exceto, é claro, para nosso caríssimo ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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