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Brasil: o país que queria voar

Hoje, revolvi contar a história de um país chamado Brasil… Um país que queria voar…

Era uma vez Brasil, criado em uma infância dura, por pais portugueses, Brasil esteve grande parte de sua existência por baixo, mergulhado na pobreza e na desesperança. Desde cedo, foi chamado a sustentar seus pais, sem que tivesse tempo e nem apoio para amadurecer. Aprendeu que o trabalho duro e o planejamento eram coisas de gente menor… As pessoas inteligentes tinham que encontrar atalhos, nem que fosse passando por cima dos outros. Não por menos, desenvolveu um traquejo social irreverente,  baseado na esperteza e no “jeitinho”, para construir seus sonhos.

E por falar em sonhos, Brasil não era muito diferente de todos nós… Brasil tinha um sonho… Sonhava em voar… Voar alto… Voar mais rápido e mais alto do que os pássaros e do que qualquer um já havia voado.

Em sua juventude, assim que comprou a independência de seus pais, Brasil conheceu um empreendedor chamado Irineu. Irineu foi um homem trabalhador e de visão. Irineu tinha o sonho de ajudar Brasil a voar… Enquanto ajudava Brasil a construir sua primeira máquina de voar, Irineu fez grande fortuna e se tornou um dos homens mais bem sucedidos do planeta. Mas Brasil não gostou disso, ficou com inveja de Irineu e quando estava prestes a fazer sua decolagem, resolveu passar a perna em Irineu, tirando tudo o que ele havia conquistado, para tentar usar seus recursos para acelerar sua decolagem. Obviamente que o sonho de voar voltou à estaca zero. A procura pelo atalho, típica de Brasil, o jogou de volta ao mais raso dos buracos, onde permaneceria por muito tempo.

Com o sonho de voar distante, Brasil passou muitos anos de sua curta existência buscando outros atalhos para voar. Sempre que alguém gostava de seu sonho e ameaçava ajudar, Brasil repetia aquilo que havia feito com Irineu, fazendo com que cada vez menos pessoas se interessassem pelo sonho de Brasil. Com o tempo, mesmo sua empáfia e traquejo social se tornaram insuficientes para que as pessoas acreditassem nos seus sonhos… Acabou sendo tratado pelos demais como alguém com muito potencial, mas perdido em seus próprios devaneios de grandeza. Um alvo fácil para os oportunistas que passaram a rondá-lo.

E foi assim, de devaneio em devaneio, passando por cima de todos que tentavam ajudar em seus planos, mas que obviamente também esperavam realizar seus próprios sonhos com isso, que a credibilidade de Brasil foi se esvaindo e este acabou cada vez mais afundado em seu próprio destino. Acabou nas mãos de agiotas e de homens que o subjugaram… Mas este cenário desolador não foi de todo ruim… Vendo suas condições de vida lastimáveis, Brasil percebeu que precisava mudar. Resolveu acertar suas contas e assumir certa seriedade no trato de seus problemas. Parecia ter finalmente entendido que para voar, precisava primeiro ter a vida em ordem… Ter recursos e pessoas competentes para ajudar em seus sonhos…

Mas este comportamento não durou muito. Um dia Brasil reencontrou alguém que manifestava e alimentava tudo aquilo que ele tinha de pior. Seu novo amigo, o PT, era a cara de Brasil. Ardiloso, descolado e “vanguardista”, não acreditava muito no trabalho… Achava ter direito nato aos seus sonhos e fez Brasil acreditar que se lhe desse o pouco que tinha conquistado até então, ele lhe ajudaria a alcançar o tão famigerado sonho de voar…

PT era convincente… Sempre falava o que Brasil queria ouvir e indicava conhecer os atalhos para o sucesso que Brasil sempre havia sonhado em encontrar. Não por menos, Brasil lhe deu poder e todos os recursos que dispunha, para que PT o ajudasse a realizar seus sonhos o mais rapidamente possível.

PT dizia que para voar não era necessário o trabalho de projetar, construir e testar uma complexa máquina de voar. Este demorado processo não só era desnecessário para voar alto e rápido, como tornaria o vôo impossível e só serviria para que Brasil gastasse o pouco que tinha com exploradores que só queriam lhe vender caros componentes, como motores a jato, fuselagem etc.

Com os recursos de Brasil nas mãos, PT começou seu grande empreendimento para ajudar Brasil a voar. O primeiro passo foi alugar um alto edifício, onde instalou uma plataforma no topo. Os recursos de Brasil rapidamente acabaram e com Brasil cobrando por resultados, PT tomou empréstimos em nome do mesmo, sem informá-lo, para construir duas enormes asas de papelão, adornadas com belas plumas, dignas do melhor carnaval que Brasil tanto gostava…

Como Brasil gostou daquelas belas asas emplumadas… Vestiu-as sem pensar e subiu rapidamente ao topo da plataforma… Mas em dado momento a razão começou a falar a Brasil… Ao chegar na beirada do prédio ele chegou a perguntar a PT: “mas será que isso vai dar certo? Estas belas asas emplumadas parecem não ser suficientes para vencer a gravidade.” Ao que PT, com um documento nas mãos, respondeu sorridente: “não se preocupe, veja… Acabo de revogar a lei da gravidade, por determinação legal, agora ela não vale mais diante deste prédio.”

Brasil, vendo aquele documento, soltou um grande sorriso, correu pela plataforma e saltou… Ao sentir o prazer do vento em seu rosto, o ar passando por seu corpo, não se conteve e gritou: “Estou voando, estou voando junto aos pássaros…” A velocidade aumentava e Brasil percebeu que o chão se aproximava… Enquanto caia, ao olhar para as janelas do edifício, percebeu que PT e seus amigos já estavam vivendo dentro do mesmo há algum tempo. Enquanto uma parte de seu corpo estava eufórica com o vôo, sua mente começava a se dar conta que, na verdade, tinha sido apenas usado por PT para bancar sua boa vida…

O chão se aproximava… Brasil queria muito acreditar que ainda conseguiria voar com suas asas de papelão… Mas a gravidade ainda estava lá… Implacável…

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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