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Ao criticar a homenagem à Cabo Sastre, a mídia faz um desserviço à sociedade.

Este dia das mães foi marcado por uma icônica cena em que uma mãe, PM, agindo em legítima defesa, rendeu um assaltante em uma heróica manobra que acabou levando à morte de um criminoso que tentava assaltar um grupo de mães e chegou a disparar duas vezes com sua arma. A policial agiu corretamente e de maneira irretocável, inclusive minimizando o risco para todos no entorno. Se transformou uma heroína, para a maioria da população cansada e de com senso. Pessoas que sabem que a violência no Brasil é de cenário de guerra e que se ela não fizesse isso, seria ela a ser executada, pois policiais são executados pela bandidagem quando são descobertos. 

Infelizmente, não demorou muito para que a bobosfera (aquele grupo de idiotas que se posicionam como intelectuais, apesar de serem incapazes de manter um raciocínio com a mínima consistência lógica) começasse a vomitar as besteiras de sempre.

Primeiro foi o folhetim de doutrinação Diário do Centro do Mundo que trouxe uma matéria sobre o caso. A matéria intitulada  “A espetacularização da irresponsabilidade” tenta passar que a ação foi irresponsável, mantendo aquele velho discurso do “seja um cordeirinho”, morra sem reagir… reagir é ruim, ajudar o próximo que está sendo ameaçado é uma má idéia, entre outras atitudes típicas de acovardados e doutrinadores. O texto, em si, é pobre e desconsidera uma série de elementos. Primeiro que usa estatísticas de reações que são sabidamente falhas, visto que a maioria esmagadora das dissuasões bem sucedidas não entram para as estatísticas, sendo computadas apenas aquelas em que há problemas na mesma. Também desconsidera elementos fundamentais do contexto em que ação ocorreu, como o fato de um policial ser descoberto neste tipo de situação ser praticamente uma sentença de morte no Brasil e, principalmente, que o bandido já havia feito um disparo quanto a PM, de maneira extremamente responsável, se aproxima e surpreende o bandido com disparos muito próximos e controlados. Mas é lógico que para a autora do referido folhetim, isso é um absurdo. Afinal, onde já se viu reagir a uma agressão potencialmente fatal para você…

A folha de São Paulo, como todo bom veículo progressista e comprometido com a narrativa e a desarticulação da sociedade, em nome dos movimentos de esquerda, não podia ficar para trás. Veio com mais um discurso daqueles desconectados da realidade. Outra narrativa pobre. Defende que o reconhecimento do ato de heroísmo da PM estava em desacordo com as políticas de redução de letalidade da própria PM. Primeiro que política de redução da letalidade, não significa que os policiais precisam cessar o uso de força letal, quando necessário. Dizer que quero reduzir a letalidade, também não me impede de reconhecer uma ação acertada de uma PM que neutralizou de maneira eficaz uma ameaça, cessou os disparos quando o criminoso se rendeu e ainda prestou socorro. Foi um ato correto, preciso e heróico. Como tal, seria reconhecido em qualquer sociedade minimamente coerente. Além disso, o jornal diz que a “ação em homenageá-la se opõe a estratégia da cúpula”. O jornal se esquece que estavam presentes o governador, o secretário de Segurança Pública e o Comandante Geral da PM nesta homenagem. Foi exatamente a cúpula que a homenageou, como poderia estar a cúpula, contrária à estratégia da cúpula.

A matéria diz ainda que a homenagem passou uma mensagem equivocada à Tropa, segundo “especialistas”. Qual mensagem errada seria essa? Quem são esses supostos especialistas? A ação da PM foi exatamente o que a população em geral esperaria de uma profissional de segurança. Precisão, eficácia e iniciativa para proteger inocentes, dentro da legalidade e da realidade que a violência urbana nos permite. É exatamente dessa mensagem que os policiais precisam: AJAM PARA PROTEGER A POPULAÇÃO. COLOQUEM OS INOCENTES EM PRIMEIRO PLANO. UMA VEZ NEUTRALIZADA A AMEAÇA, NÃO DEVEM SE EXCEDER E DEVEM CUMPRIR COM SEU PAPEL. ISSO OS TORNARÁ HERÓIS, como a cabo Sastre.

Título da matéria da folha de SP sobre o caso.

Não bastasse a Folha, também tivemos o Sakamoto. Icônico “pensador” progressista que propôs que reconhecer o bom trabalho de alguém que agiu com heroísmo, seria um desserviço à própria polícia. Segundo o mesmo, é um ato de ignorância, as pessoas festejarem a morte de alguém (fato, nisto concordamos). Mas o problema começa quando ele faz uma ligação disso, com a homenagem recebida pela PM. Pois bem, vamos analisar as partes. Primeiro que a homenagem não teve relação nenhuma com festejar a morte de alguém. Em momento algum dissera: “aqui está seu prêmio por matar alguém”. A homenagem foi por preservar vidas inocentes com técnica e precisão, dentro de todos os princípios legais e sem se exceder. O dito “pensador” usa casos onde o que foi festejado foi a morte do bandido (o que concordo ser algo deprimente) com o fato de se festejar o ato de heroísmo da PM. Difícil, heim Sakamoto? A morte do criminoso pode ser consequência do ato de heroísmo, mas não o invalida. Não o torna menos nobre. Criminosos devem ser rechaçados e impedidos de agir, especialmente quando armados. São atacantes, são os verdadeiros opressores que, com armas nas mãos, aprisionam uma sociedade completamente indefesa. Eles devem sim ser impedidos de cometer crimes a todo custo, assim como devem ser punidos de maneira exemplar quando são detidos. Quem os impede de cometer crimes e os prende dentro da legalidade deve sim ser exaltado e valorizado, diferente daqueles que pedem conduta amena contra os mesmos. 

O dito, “jornalista” também defende a mesma idéia tosca da matéria da folha, de que a mensagem passada é errada, pois este ato teria que ser visto como excessão e não algo a ser celebrado. Atos de heroísmo devem ser excessões? Policiais e cidadãos, agindo para proteger inocentes, deveriam ser excessões? O que deveria ser regra para Sakamoto? Todos como cordeiros, sendo massacrados diariamente por criminosos que andam soltos, armados até os dentes (porque esse pessoal acha que bandido está preocupado em seguir as leis de desarmamento) e protegidos por agentes de mídia, como o próprio Sakamoto? O mesmo tipo de agente da mídia que defendeu as políticas que levaram o Brasil e alguns de seus vizinhos aos topos dos rankings globais de violência?

Mas calma, não acabou. Sakamoto coloca uma cereja no bolo dessa discussão ao entrar em contradição com seus próprios parágrafos anteriores (coisas desse tipo de gênio, que não sabe lógica): alega que policiais morrem sem receber o devido reconhecimento da sociedade, depois de pedir que não reconheçamos ações heróicas destes mesmos policiais. Espere, como um reconhecimento a uma ação heróica pode ser algo negativo, em um mundo em que precisamos reconhecer policiais? Tem que escolher um lado Sakamoto, não dá para defender a narrativa padrão da esquerda, ao mesmo tempo que fala em valorização da polícia.

A grande verdade por trás disso tudo, fica clara no próprio fechamento do texto de Sakamoto. Para a mídia progressista, não se pode reconhecer alguém por algo que ajuda a fomentar discursos antagônicos aos seus. Não se pode reconhecer uma ação acertada se ela permite que pessoas também as usem para atacar os discursos dos mesmos. A narrativa é mais importante do que os fatos. A narrativa é mais importante do que o reconhecimento de uma PM que até eles parecem reconhecer que agiu corretamente. A narrativa é mais importante que a segurança das pessoas, inclusive a dos próprios articuladores dessas idéias. Agir corretamente não importa. O que importa é denegrir oponentes ideológicos e conseguir sustentar a narrativa que permite levar o país ao estado que eles precisam para conseguir implantar suas idéias descabidas e ultrapassadas.

Mesmo com o direito inalienável de se defender, de defender o próximo e proteger pessoas inocentes sendo algo bastante óbvio e claro para qualquer pessoa com mínima inteligência. Mesmo o herói e o criminoso, também sendo facilmente distinguíveis para qualquer pessoa de bom senso, assim como a diferença entre quem é o agressor e quem é o vitimado, estes grupos teimam em criar factoides em cima de tudo o que possa ser usado contra seus ideais de dominação de massas. Preferem manter em voga as idéias sobre o desarmamento civil, as idéias de criminosos como vítimas de uma sociedade opressora e o terrível tratamento que dispensam aos policiais em geral, a reconhecer que uma policial pode ser sim uma heroína para a população. Não é por menos que, com apenas 2 décadas deste discurso, o Brasil acabou com o título de país com maior número de homicídios do mundo. Não há como ser diferente em um mundo onde o criminoso é exaltado e protegido, enquanto o policial não pode ser reconhecido, mesmo que tenha feito algo exemplar, pois isso violaria a narrativa padrão de luta de classes e opressão que sustenta a baboseira defendida por esses grupos.

A parte boa de toda essa história é que essa minoria barulhenta, que forma os movimentos de esquerda do país, parece não estar conseguindo mais cobrir os gritos de bom senso que ecoam cada vez mais altos em nossa sociedade. A parcela da população que parece estar disposta a dar um basta nestes discursos tem crescido sistematicamente, assim como a aversão a estes grupos políticos que desvirtuaram os valores centrais da sociedade. A sociedade brasileira tem se libertado gradualmente destas amarras da doutrinação e do patrulhamento ideológico que são forjados há décadas por estes grupos políticos que dominam o país. As pessoas parecem querer de volta o controle de suas vidas e estão cada vez mais prontas para romper com a lógica nefasta do cordeiro submisso ao estado e ao crime. Neste sentido, a homenagem à Cabo Sastre é um grito de liberdade e de esperança, é um grito pelo fim da inversão de valores que tentam plantar nas estruturas sociais e é isso que temem aqueles que prestam o verdadeiro desserviço à sociedade Brasileira.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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