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Análise conjuntural do setor têxtil e de confecções

Hoje trago aos leitores um texto convidado… Uma análise de conjuntura do setor têxtil e de confecções, realizada por Luciana Marcela Silva, Lorena F. Bovo, Letícia Cristina Frason e Thalita Valente Machado, alunas do curso de Administração da Universidade de Ribeirão Preto.

Análise conjuntural do setor têxtil e de confecções

O setor têxtil e de confecções vem crescendo muito ao longo dos anos, não só no Brasil como no mundo todo. Trata-se de um mercado dinâmico que vem se destacando devido ao forte avanço na área tecnológica, uma vez que o aprimoramento de máquinas e tecidos colaboram para a alta produtividade e também contribuem nas relações comerciais entre diversos blocos econômicos.

Em linhas gerais pode-se dizer que o setor têxtil é praticamente “dominado” pelos asiáticos, uma vez que o mesmo detém grande fatia deste mercado. A Ásia obteve no ano de 2011 aproximadamente de 73% da produção mundial de produtos têxteis. Segundo pesquisas, a China representou cerca 36% das exportações mundiais neste mesmo ano, contribuindo significativamente com o setor.

De acordo com dados da Organização Mundial de Comércio (OMC), estima-se que o setor têxtil e de confecções movimentou cerca de US$744 bilhões em transações entre países em 2012.

A China pode ser considerada o maior player global do setor têxtil e de confecções, seja por sua grande e intensa participação de mercado, pela liderança em exportações e também pelo elevado investimento em tecnologia (máquinas e equipamentos) e produção. Além disso, a China utiliza outros fatores que possibilitam a penetração em novos mercados, tais como estratégia de conquista de mercados externos voltados à concorrência via preços, uma vez que a mesma oferece uma enorme quantidade de produtos padronizados a fim de conseguir baixo custo de produção e, por sua vez, preços de venda inferiores aos do mercado nacional.

Nota-se também que diversos países desenvolvidos têm migrado suas indústrias têxteis e de confecções para locais onde a mão de obra é mais barata, com o intuito de reduzir custos. No entanto, os produtos oferecidos por estes países desenvolvidos são diferenciados dos demais, principalmente quando se trata do design e marca, ou seja, eles buscam conter seus custos e participar mais ativamente em nichos de mercado específicos.

No Brasil este setor existe há aproximadamente 200 anos, ou seja, trata-se de um mercado sólido e de grande influência para o país. Apesar de o mesmo ocupar a quinta posição em questão de maior indústria têxtil do mundo e a quarta posição em confecções, ele participa com menos de 0,4% neste mercado, ou seja, ainda é muito pequeno frente aos demais países, principalmente quando se trata do principal player global, a China. Este comportamento pode ser parcialmente explicado, uma vez que o Brasil é um país onde a maior parte da produção é consumida no mercado interno, onde sua participação em exportação têxtil é muito reduzida.

É possível verificar, através do gráfico 1 e 2, as classificações dos países no que diz respeito a produção mundial do setor têxtil e de vestuários no ano de 2011.

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Gráfico 1–Produção Mundial de Têxteis, 2011 – Elaborado pelos autores com base em dados do IEMI

O setor têxtil e de confecções pode ser considerado um dos mercados que mais impulsionou a revolução industrial do Brasil. Além de ter auxiliado neste grande feito, o setor emprega cerca de 1,7 milhão de pessoas de forma direta, onde 75% são mulheres, ou seja, é um potencial gerador de empregos. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), o setor fatura cerca de R$ 100 bilhões por ano através de mais de 30 mil empresas e pode ser considerada a maior cadeia integrada do setor no ocidente.

Gráfico 2– Produção Mundial de Vestuário, 2011 -  elaborado pelos autores com base em dados do IEMI
Gráfico 2– Produção Mundial de Vestuário, 2011 –  elaborado pelos autores com base em dados do IEMI

Após uma queda considerável que vem acontecendo desde 2013, é estimando que o setor têxtil e de confecções volte a crescer no Brasil, cerca de 5% no ano de 2016, movimentando aproximadamente R$127 milhões de reais este ano. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), este crescimento está relacionado com a taxa de câmbio. Uma vez que o dólar aumenta, as pessoas passam a se questionar se realmente sai “mais barato” importar. Neste sentido, o mercado nacional passa a ganhar novamente a atenção dos consumidores, uma vez que os mesmos classificam como opção não viável a importação de outros países, onde a compra no mercado interno passa a compensar mais.

Apesar de números positivos no setor, deve-se ficar atento quanto ao consumo das famílias no Brasil. Dados do IBGE informam que este índice se mostra instável nos últimos anos; as informações mostram que em 2010 o consumo das famílias no Brasil esteve em 6,26 (% a.a.) e, desde então, entrou em declínio, atingindo 2,41 (% a.a.) em 2013. Desta forma, nota-se que as famílias têm mudado seus hábitos de consumo, reduzindo seus gastos. O setor têxtil e de confecções pode ser afetado por este índice, uma vez que, quando as pessoas deixam de consumir, injetam menos dinheiro na indústria e, consequentemente na economia, contribuindo para uma redução na produção, que gera diminuição no número de vendas e na receita liquida da empresa e, por sua vez, causa instabilidade no setor, permitindo possíveis perdas de mercado para outros países.

Além disso, os índices de importações e exportações de bens e serviços no Brasil devem ser levados em consideração. O índice do IBGE mostra-se em elevação no quesito importação se comparado com ao de exportações. Os dados mais recentes apontam que em 2013 atingiu-se 8,34 (% a.a.) em importações e apenas 2,53 (% a.a.) de exportações de bens e serviços para outros países. Neste contexto, o setor têxtil e de confecções mostra-se afetado por este índice, onde fica em evidência a pouca participação do setor em exportações de produtos para outros países. Desta forma, pode-se dizer que o Brasil se mostra fraco comparado aos demais países que fazem parte do setor, uma vez que o número de importações é aproximadamente três vezes maior que o número de exportações.

Outro fator importante a ser considerado é a questão de subsídios, onde o setor é incentivado pelo governo, contribuindo positivamente com as indústrias. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil – ABIT, Rafael Cervone, foram feitas diversas solicitações de subsídios para o governo, a fim de poder concorrer de igual para igual com os chineses, dos quais possuem 27 tipos de subsídios, que partem desde incentivos tributários, crédito facilitado, controle dos preços das matérias-primas até fundos de apoio à exportação. Estes recursos possibilitam que os vestuários chineses cheguem ao Brasil com baixo custo e sejam comercializados a preços inferiores do que os produzidos nacionalmente. Apesar de o setor têxtil empregar cerca de três vezes mais mão de obra do que o setor automobilístico, o governo ainda não liberou nenhum tipo de subsidio.

As principais forças que atuam no mercado são, sobretudo a política e a economia. Todo e qualquer acontecimento na política brasileira gera uma onda de acontecimentos na economia do país. Atualmente, pode-se perceber que a crise não se dá somente por fatos ocorridos a alguns anos atrás, mas também pela falta de credibilidade e falha no gerenciamento de recursos por parte dos governantes com a população brasileira. Isso contribuiu para que fossem gerados problemas internos e externos no Brasil, tais como altos índices de inflação, desvalorização do real, taxa de juros elevada, redução do PIB, estagnação em crescimento, elevação na taxa de desemprego, redução do nível de renda das famílias e diversos outros fatores que influenciam diretamente a indústria, o comércio, a prestação de serviços, ou seja, a economia em geral.

Em 2006 Luís Inácio Lula da Silva, assumiu seu segundo mandato com um país que apresentava um crescimento significativo do PIB (Produto Interno Bruto), baixa taxa de inflação e de desemprego. Incentivou as exportações, investimentos pelo BNDES e também o Programa Nacional da Agricultura (PRONAF), melhorando a imagem econômica do país. Em 2008, Lula lançou uma meta de crescimento anual de 5% do PIB, juntamente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), visando o desenvolvimento não só da economia brasileira, mas também melhorar a qualidade de ensino das escolas do país. Os investimentos nas áreas sociais tinham como objetivo principal equiparar as classes populacionais, através do incentivo ao consumo, ou seja, com a população consumindo mais, haveria mais produção e consequentemente mais empregos.

Porém em 2008, o mundo se encontrava em crise. Nos Estados Unidos, estourava a crise imobiliária, afetando o número de empregos, diminuindo o consumo das famílias americanas e consequentemente uma recessão na economia do país. Com os Estados Unidos sendo uma das principais economias mundiais, fez com que o mundo inteiro foi afetado pela crise imobiliária. O Brasil, que incentivava o consumo, não sentiu amplamente a crise de 2008, contudo, foi afetado nas áreas de comercio exterior, principalmente com a retirada de investimentos estrangeiros, queda nos preços de produtos exportados e a queda total dos índices de produção indústria acarretando uma seriem de desempregos.

A partir disso, pode-se dizer que a situação político-econômica do país, vem piorando desde então. Para evitar os efeitos da crise, o ex-presidente Lula aumentou os gastos públicos, para suprir as atividades deficientes do setor privado. A baixa produção, a baixa poupança e o Estado incentivando o consumo, levou a economia a uma redução extrema.

Desde 2010, o cenário econômico brasileiro começou a sofrer alterações. Comparando o segundo trimestre dos anos de 2013 e 2014, a economia brasileira caiu quase 1%, ou seja, cerca de R$50 bilhões de reais, entre bens e serviços, produzidos a menos. Ainda comparando o segundo trimestre dos anos de 2013 e 2014, mas agora pela ótica de investimentos – um dos principais fatores que contribuem para o PIB – a queda foi de 11,2%. Com isso, nota-se também, que o número de empresas abrindo, passou a cair também, apresentando queda de 13,1%, a terceira queda consecutiva, desde o ano de 2012, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

Não somente isso, mas com o atual protecionismo por parte do governo, que aumentou as alíquotas de importação de grande parte dos produtos estrangeiros, e praticamente fechou os portos para a importação dos mesmos, indo desde produtos lácteos até brinquedos, com grande destaque nos produtos têxteis, as indústrias também foram fortemente atingidas, encolhendo 3,4%, ainda comparado o segundo trimestre de 2013 com 2014.

Pode-se dizer que todas as ações políticas afetam a economia, uma vez que, o agente central (Governo), obtém grande poder e influência. Por sua vez, é correto afirmar que todas as empresas são afetadas significativamente por estas ações, ou seja, toda e qualquer mudança no cenário político, ocasionará em mudanças econômicas, sobretudo no que diz respeito a investimentos.

Neste sentido, existe uma preocupação quanto aos investimentos no país, uma vez que, em um cenário de instabilidade política e econômica, os investidores estrangeiros tendem a investir menos nas indústrias, seja por entenderem que existe uma vulnerabilidade frente à concorrência externa ou também por compreenderem que, determinadas ações do governo são ineficazes em curto prazo.

Atualmente ocorreu uma troca de governo no Brasil, esta mudança foi dada com o intuito de melhorias no país, tendo em vista uma economia de mercado mais aberta e liberal, atraindo investidores, aumentando a produtividade, elevação na taxa de emprego, maior consumo por parte das famílias e, por sua vez, melhorar, não só a política, como também melhorar economicamente, a visão externa e interna do país.

As expectativas são de que, com o afastamento de Dilma Rousseff, o então vice-presidente Michel Temer consiga, juntamente com sua atual equipe, restaurar a economia brasileira, fazendo alterações que possam contribuir para melhorar a situação atual do Brasil, seja através da alteração em medidas econômicas, mudanças nas leis trabalhistas, reajuste as tributações e até mesmo corte de gastos públicos. Para tanto, ele deverá estipular uma nova meta fiscal para o ano de 2016, fazendo a implementação de um teto para os gastos públicos, reajuste na lei de responsabilidade fiscal, dentre várias outras.

Neste contexto, o país se encontra instável, uma vez que, as medidas econômicas foram divulgadas recentemente. Sendo assim, é possível prever diversos cenários políticos e econômicos que podem alterar o rumo em que o mercado caminha.

Relacionando dados obtidos através da compreensão do comportamento político econômico com as últimas medidas tomadas pelos governantes do Brasil, é possível prever que o cenário mais provável seja onde o dólar flutuaria em torno de R$ 3,20. Em razão disso, não haveria prejuízos para o mercado exportador e, também haveria benefícios para o mercado de importação, uma vez que os mesmos comprariam produtos e insumos mais baratos. Um exemplo disso é o trigo, onde a redução no custo do produto implica em uma diminuição dos preços de venda ao consumidor final.

Com o dólar flutuando a R$ 3,20, o comercio internacional seria valorizado, tantas exportações quanto importações. No ramo das exportações, a indústria têxtil teria um grande destaque, uma vez que estaria vendendo seus produtos ao exterior e também incentivando o consumo no mercado nacional.

Outra questão que está sendo discutida é a possível volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e do CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), onde os consumidores passariam a contribuir com este tipo de tributação que se encontrava adormecido no governo. A CIDE pode ser considerada a melhor opção se comparada a CPMF, uma vez que este imposto que não precisa passar pelo congresso para ser criado e retirado. Ao passo que isso ocorre, pode-se dizer que existira uma diminuição na poluição e incentivo para a produção de combustíveis alternativos, dos quais podem gerar mais empregos.

Já a CPMF é temida pela maior parte dos brasileiros, uma vez que, ao passo que as pessoas consomem, as alíquotas são somadas, onde o comerciante paga o imposto e o repassa a seu consumidor final, gerando um aumento significativo nos preços.

Outra proposta que parte de medidas políticas está relacionada com a mudança nas leis trabalhistas e na previdência, aonde isto iria influencia e acarretar a redução das demissões e estipular uma idade mínima para a aposentaria, tanto de homens quanto mulheres. Neste sentido isso traria resultados benéficos para a população, uma vez que o governo conseguiria minimizar os impactos de seus feitos anteriores alterando medidas pouco complexas. Por sua vez, os consumidores iriam se sentir estimulados e passariam a ter maior credibilidade no governo, sem contar o aumento na renda dos consumidores, ou seja, as famílias estariam com mais dinheiro disponível para comprar produtos, movimentando a economia.

Em um cenário otimista, pode-se dizer que, a reforma econômica oferecida pelo então presidente interino Michel Temer, pode contribuir para o Brasil e também para o setor têxtil e de confecções, uma vez que, isso incentiva a exportação de produtos para outros países. Ao passo que isso acontece, surge uma grande ameaça para o mercado em questão, a entrada de novos concorrentes no setor nacional.

A política e a economia estão intimamente ligadas, portanto, quando se pensa sobre um futuro e otimista cenário econômico, tem-se a ideia de que as questões políticas brasileiras estão melhorando. Visto isso e olhando para um lado mais positivos, estima-se que para os próximos anos ocorra a recuperação do crescimento a partir da redução da taxa de inflação, que por sua vez acarretará na redução da taxa de juros, que atualmente se encontra em 14,25%.

Porém, acontecimentos recentes provam que o cenário otimista não significa muita melhoria na situação atual. Pesquisas deixam claro que o melhor cenário que o Brasil pode alcançar nos dias de hoje, é um cenário medíocre. Economistas de mercado do Bloomberg apontam que em 2016 ocorra um crescimento de 1% na economia e de 2% em 2017, o que não resolveria todos os problemas, mas acarretaria em uma mudança significativa no que se está se vivendo hoje.

Em vista disso, prevê-se que, o governo incentive o setor, oferecendo diversos subsídios que proporcionariam disputa direta e possibilidade de maior participação no mercado global. Além disso, a redução da tributação e de impostos podem contribuir positivamente com o setor, onde o custo dos produtos seria menor, promovendo um aumento de capital, proporcionando resultados elevados, o que incentiva a indústria a contratar novos funcionários, permitindo a geração de empregos e colaborando para a estabilidade econômica do Brasil. Isso também pode estar relacionado com os investimentos externos no setor, uma vez que estes são indispensáveis para a competitividade e crescimento em vista de um mercado global.

A produção brasileira de itens de vestuário caiu 10% em 2015 na comparação com o ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT).

De acordo com Moreira (2010) “Com metas ainda de investir em inovação e produtividade, as empresas têxteis devem continuar neste ano com saldo negativo na contratação de pessoal. Há estimativa de corte de quatro mil vagas. O saldo da balança comercial projetado indica déficit de US 6,13 bilhões, com alta de 2,7% nas exportações e de 3,6% na importação”.

Vale ressaltar a concorrência asiática de acordo com Neher (2013) “A ABIT considera a concorrência com a China desleal. Segundo a associação, os chineses mantêm sua moeda artificialmente desvalorizada, cerca de 30% em relação ao real, além de possuírem cerca de vinte e sete subsídios contestáveis na OMC e não seguirem as regras mínimas trabalhistas, previdenciárias e ambientais”.

Outros problemas são a alta carga tributária. Segundo a Organização para Cooperação Econômica (OCDE), o preço da energia elétrica pode ser considerado uma das mais caras do mundo. Além disso, se tem uma infraestrutura ineficiente, somado do desvio de verbas públicas, corrupção e falta de mão qualificada, o que afeta ainda mais o setor em questão.

Neste sentido, pode-se dizer que o cenário pessimista para o setor têxtil e de confecções é onde o mercado se contrai, os empregos diminuem, o que resulta em uma estagnação do setor, resultados negativos, aumento nos impostos, perca de mercado para os concorrentes externos e implicações graves que gerariam uma revisão na estrutura da empresa e questionamentos sobre seu funcionamento, uma vez que resultado negativo impulsiona as empresas do setor a pararem suas atividades, gerando mais impactos para a economia do Brasil.

O FMI (Fundo Monetário Internacional), que a economia brasileira deve piorar ainda mais no ano de 2016 e só conseguirá permanecer com o PIB estagnado (0%) em 2017 e que o país comece a ter melhoras significativas, apenas em 2018. Já o BIRD (Banco Mundial), divulgou, em seu último relatório, no dia sete de junho de 2016, que as expectativas para uma melhoria na economia brasileira só viriam em 2017. Para o ano de 2016, as expectativas são piores, estima-se que o PIB recue 4% e que a taxa de inflação deve superar 7,59%.

De acordo com dados divulgados pelo BC (Banco Central), no dia 20 de maio de 2016, a projeção para o PIB brasileiro para o ano vigente voltou a mudar, estimando-se uma retração menos intensa, passando de -3,60% a -3,44%. Para 2017 estima-se um aumento de +1%, frente a estimativas anteriores que apontavam uma alta de 0,50% para o próximo ano. Essa mesma pesquisa também apontou novas estimativas para a produção industrial, passando de 5,87% para 5,85%, dados estimados anteriormente, previram um recuo de 6,00%. Já os índices de inflação não apresentam dados de melhoria, para o Relatório de Mercado Focus, a inflação passou de 7,19% para 7,25% em 2016.

Dado que o Brasil está passando por um delicado momento econômico, político e financeiro, todos os setores são afetados por esta instabilidade, sejam nas indústrias, comércios, serviços, agropecuária, construção civil e em diversas outras áreas. Para tentar se livrar da péssima situação que se vive atualmente no país o atual governo interino busca intervir de diversas maneiras para tentar amenizar o cenário em que se encontra, fazendo mudanças na previdência social, tentativas de controle de gastos públicos, intervenção na taxa de inflação, regulamentação da terceirização, reforma tributária, valorização das relações com o comércio exterior, incentivos com exportações, entre várias outras mudanças.

Toda esta instabilidade é sentida na indústria têxtil e de confecções, uma vez que as alterações feitas na política e economia afetam indiretamente o posicionamento das empresas, dos consumidores e de outros países que fazem relações com o Brasil. Quando o país faz reajustes na tributação de produtos isso gera um impacto na indústria, uma vez que a mesma deve considerar seus custos de produção e o aumento na tributação, para então, decidir como diluirá este aumento de contribuição sem que seus consumidores deixem de consumir seus produtos.

Em um contexto de desvalorização da moeda nacional, ocasionada pela má gestão governamental, mudanças políticas e econômicas estão sendo tomadas a fim de equilibrar as contas públicas. Pelo fato de a moeda (Real – R$) estar desvalorizada frente ao Dólar, quando o consumidor converte o preço dos produtos externos para a moeda interna, percebe que “ficou mais caro” importar, por este motivo a entrada de produtos estrangeiros, encontra-se reduzida. Apesar da alta carga tributária do Brasil, as exportações tendem a estar “em alta”, uma vez que, quando o estrangeiro converte Dólar por Real, nota que sua moeda vale mais no mercado, sendo assim, isso contribui para um aumento no número de exportações no Brasil.

No setor têxtil, esse posicionamento da moeda nacional frente ao Dólar faz com que as importações de produtos estrangeiros caiam, forçando os consumidores a comprarem os produtos nacionais. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), as importações de produtos têxtis caíram cerca de 17,4% no ano de 2015 e é esperado em 2016, uma queda de 22,4% nas compras de produtos vindos do exterior. Isso se deve a expectativas da substituição dos produtos importados por produtos nacionais. Somado a isso, prevê-se que o mercado nacional aumente 1,5% de suas exportações têxteis.

O dólar também ganha destaque com a crise econômica que China vem enfrentando, destacando principalmente o ano de 2015, afeta diretamente a produção têxtil brasileira, uma vez que muitas matérias primas para a produção de tecidos são compradas desse país. Com isso, estima-se que o Brasil deixe de adquirir matéria prima estrangeira e passe a dar atenção a fabricação nacional, que por sua vez irá baratear o custo da produção e fará com que os preços de venda para o consumidor final, também caia.

Em contrapartida, com o enfraquecimento da China, outros países, como Índia, Taiwan e Bangladesh, podem ganhar forças significativas na produção de produtos têxteis, uma vez que a Ásia como um todo, detém cerca de 73% da produção mundial, o que levaria as confecções brasileiras a mudarem apenas o país de ondem importam a sua matéria prima, podendo assim, manter os mesmos preços ou até mesmo encarece-los.

Economistas do Banco Central diminuíram suas expectativas para o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) de 2016. A expectativa era que a taxa de inflação ficasse em 6,86%, porém, com a economia contraída, a taxa passou a ser de 6,87%, ficando acima da meta (4,5%) e do máximo permitido (6,5%). O PIB brasileiro também sofreu queda em 2016. Estimativas realizadas em 2015 previram que em 2016 o Produto Interno Bruto do Brasil fosse de 3,7%. Contudo, o FMI (Fundo Monetário Internacional), previu uma queda de 3,8%, um dos piores resultados do mundo.

Segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias Têxteis e de Confecções (ABIT), a indústria têxtil é responsável por cerca de 5% do PIB industrial, com mais de 8 milhões de empregos diretos e indiretos. Apesar do crescimento do setor em 2015, foram demitidas cerca de 98.825 pessoas que atuavam na indústria têxtil e de confecções, isso se deve à crise interna, pois o setor busca se proteger economicamente e investir no longo prazo.

Atualmente não é possível prever os rumos que a economia e principalmente a política brasileira podem tomar futuramente, as expectativas para uma possível melhoria de curto prazo são baixas, devido ao um grande esquema de corrupção envolvendo vários políticos brasileiros, a confiança das pessoas vem diminuindo cada vez mais. Com isso, grande parte dos investidores e das empresas, tendem a recuar e se proteger contra a crise econômica que afeta o país, fazendo com que os mesmos comecem a cortar gastos, podendo assim, agravar ainda mais a taxa de desemprego que vem crescendo muito recentemente.

Por outro lado, caso o governo e a atual gestão consigam reverter a situação econômica, espera-se que ocorra um melhor incentivo ao empreendedorismo, com cortes na tributação altíssima das empresas, além de colaborar para que companhias voltem a contratar, melhorando assim, a renda das famílias, que por sua vez, voltariam a consumir mais.

Recentemente, os programas de inclusão social, realizados pelo governo desde 2002, facilitaram a ascensão das classes inferiores, como C e D. Ganhando em torno de 3 a 5 salários mínimos. A classe C, de acordo com dados do IBGE, é representada por cerca de 41,35% dos brasileiros, população da qual começou a representar uma significativa participação na economia do Brasil, movimentando aproximadamente R$864 milhões no ano de 2010. No cenário atual do Brasil, em meio à crise política e econômica, a alta taxa de desemprego e a elevação da inflação contribuíram para desestimular os consumidores, onde a classe C passou a diminuir o consumo para tentar manter os padrões de vida em que foi inserida. No mercado varejista de moda, estes agentes são muito importantes, uma vez que suas ações afetam o setor. A partir disso, pode-se dizer que a mudança de hábitos gera impactos nas vendas das empresas, seja em oferta e demanda, hábitos e gostos dos consumidores e também em resultados financeiros, onde os mesmos tendem a investir sua renda primeiramente em produtos fundamentais, ou seja, extremamente necessários.

Pesquisas do IBGE apontam que também ocorreu um aumento no consumo por parte das mulheres, dos idosos e de pessoas solteiras. As mulheres passaram a consumir mais devido a maior participação feminina no mercado de trabalho, onde elas possuem vários papéis sociais, seja como chefe de família e até mesmo como executiva, consumindo desde utensílios domésticos até carros e outros produtos mais caros, representando uma parcela de 66% do consumo no país. No mercado da moda, o consumo das mulheres chega a 58%. Por este motivo, representam uma considerável influência no setor têxtil, onde seus hábitos de consumo ditam tendências, além de serem consideradas como público alvo, uma vez que as pessoas que mais consomem os produtos do setor são mulheres.

Já a população acima de 60 anos, cerca de 21 milhões de brasileiros, também possuem uma importância significativa no consumo, 12% no total. No mercado da moda, idosos entre 54 e 64 anos consomem aproximadamente 8%.  Os homens brasileiros, consomem cerca de 42% do mercado da moda, esse fato se deu quando a população masculina começou a se interessar por beleza e cuidados com a aparecia. Os homens dão preferência ao estilo básico e preferem, muita das vezes, comprar pela internet.

Sendo assim pode-se dizer que a população idosa, acima de 60 anos e os homens brasileiros são agentes importantes para o setor e que, seus gostos ditam tendências e influenciam de forma significativa a produção e oferta de produtos do setor têxtil. Outra coisa relevante se dá pelo fato de os homens preferirem compras pela internet, o que implica em um bom desenvolvimento de marketing e boas estratégias de venda para que o consumidor finalize a compra.

Com o avanço da tecnologia e as novas facilitações a compras através da internet, como o paypal e pagseguro, fizeram com que a compra de produtos através de sites, se intensificassem. Hoje em dia, muitas pessoas optam por comprar produtos online, pois há mais comodidade, como por exemplo, o produto chega na sua casa ou nas variáveis formas de pagamento, sem contar as promoções que acontecem mensalmente. Com isso, sites de roupas, principalmente vindos da China e dos Estados Unidos, ganharam força ultimamente, mesmo com o dólar alto, algumas peças de roupas são compradas de outros países, pois além de oferecerem maior qualidade, tais produtos podem possuir marca, o que agrega valor e o consumidor se sente mais confortável com a compra.

Compra de roupas e produtos de confecções têxteis, como toalhas de banho, rosto, toalhas de mesas, lençóis, entre outros, podem prejudicar significativamente a produção de produtos têxteis e de confecções brasileira, pois na maioria das vezes, os produtos adquiridos são estrangeiros.

Devido ao atual cenário econômico do país, o consumo de moda tende a ser reduzido. Para que esse não se torne um impacto muito relevante no mercado de moda e na indústria têxtil e de confecções, as empresas varejistas buscam maneiras de fidelizar o seu cliente, através de promoções com desconto, investimento em pós-venda, atendimento diferenciado e qualificado, entre vários outros.

A fidelização do cliente, quanto varejo, é um risco, não só para a empresa, mas principalmente um risco para o próprio consumidor. Existem riscos na compra no ponto de vista monetário, pois, com a crise vista em 2016 o índice de inadimplência aumentou 5,8%. Um agravante disso são as compras parceladas, onde instabilidades econômicas podem gerar inadimplência dos consumidores para a empresa, uma vez que os mesmos ficam vulneráveis ao desemprego por consequência da redução de custos por parte das empresas. O trabalhador/consumidor pode, por sua vez sofrer com riscos psicológicos, correndo o risco de ter seu nome “processado ou sujo” por conta do não pagamento de suas compras, deixando de cumprir seus deveres financeiros.

A mercadologia ou o marketing tornou-se hoje o melhor meio de comunicação entre as empresas e os consumidores. Na indústria têxtil e, principalmente no mercado varejista de moda, as empresas devem investir em marketing de qualidade para atrair e conquistar seus clientes, uma vez que há muitos concorrentes no mercado, podendo ser classificada como concorrência monopolística.

As propagandas, por sua vez, podem acarretar em impressões tanto negativas, quanto positivas. Do lado negativo, as pessoas podem não entender o contexto de uma propaganda, ou se sentirem, de alguma forma, ofendida, com o que está sendo mostrado, fazendo com que a empresa manche seu nome. Por outro lado, se a empresa possui ações de marketing efetivas, faz com que os consumidores busquem os produtos dessa marca especifica, pois, a propaganda conseguiu atingir os valores que seu público alvo possui.

Atualmente, com o grande acesso a informação e o grande desenvolvimento das novas tecnologias, a população em geral está exposta a centenas de propagandas diariamente, encontradas na televisão, programas de rádio, outdoors, revistas, e principalmente na internet, como em redes sociais ou sites de publicidade.

Em geral, a indústria têxtil apresenta uma grande evolução na tecnologia de máquinas e equipamentos, em especifico na lavagem do jeans, um material encontrado facilmente no varejo têxtil. A tecnologia vai além, ou seja, permite o maior aproveitamento de recursos, economia em tempo de produção, melhor aplicação e até desenvolvimento de tecidos diferenciados, dos quais podem promover maior conforto e segurança as pessoas que o usam, uma vez que o tecido antimicróbico impede que o suor excessivo.

Neste sentido, a evolução da tecnologia é essencial para a indústria têxtil, uma vez que promove produtividade, ou seja, capacidade de produzir mais produtos utilizando-se dos mesmos recursos empregados, podendo ser tempo, matéria prima, entre outros. Desta forma, a indústria têxtil e de confecções deve mostrar-se atenta às evoluções do mercado, a fim de estar na frente e/ou acompanhar o mercado externo.

As mudanças climáticas, tais como chuvas muito fortes ou estações com temperaturas extremas, também são fatores que influenciam na produção têxtil, sobretudo nas indústrias que fabricam seu próprio tecido, uma vez que os mesmos são plantados, como o algodão, linho, micro Modal, entre várias outras. As chuvas, calor ou frio extremos, podem provocar a perca da plantação e consequentemente a diminuição da quantidade de peças produzidas.

Quando tratamos das questões ambientais, deve-se lembrar de que as estações do ano influenciam intensamente o setor têxtil e de confecções, sendo assim, pode-se dizer que esta variável deve ser acompanhada de perto, a fim de compreender as necessidades do mercado e dos consumidores em geral em função do clima. Neste sentido, os consumidores entram em destaque, uma vez que as necessidades dos mesmos são importantes para definição das coleções e dos produtos em questão.

No sudeste do Brasil a questão de clima não é intensificada, pois o frio não costuma ser intenso. Por este motivo, os varejistas apresentam formas de adaptação a esse fenômeno, um exemplo disso é no inverno, quando ao invés de oferecerem roupas com tecidos grossos e quentes, oferecem roupas de mangas longas com tecidos mais finos, onde podem ser consideradas alternativas para a proteção do frio onde as alterações climáticas não são sentidas tão severamente. Já no Sul do Brasil o inverno é extremamente frio. Desta forma, as mudanças ambientais e climáticas influenciam o setor têxtil e de confecções, uma vez que o setor deve se adequar as constantes alterações que existem no clima, sem se esquecer de que estas mudanças podem ser diferentemente sentidas de acordo com as regiões do país. Além de tudo, o clima interfere na produção de matéria prima, o que pode atrapalhar na produção dos materiais, uma vez que, quando existe excesso de chuva em determinada região, pode acabar por influenciar no plantio e na colheita de algodão, assim como a seca gera perdas na produção.

A indústria varejista têxtil vem mostrando-se em destaque pelo fato de seu crescimento gradativo. O setor apresenta uma imensa geração de empregos, ainda que tenha se envolvido em polêmicas quanto às oficinas do sertão. As empresas vêm investindo intensamente em sites de vendas interativos para amplificar suas vendas, ganhar novos mercados e facilitar a vida dos consumidores, além de vários outros meios que visão a fidelização dos consumidores para com as marcas.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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