You are here
Home > Opinião > A parábola do Cérebro e do Esfíncter

A parábola do Cérebro e do Esfíncter

Era uma vez um corpo saudável e bem nutrido. Os recursos abundavam para todos e eram distribuídos de acordo com as necessidades de cada órgão.

Foi assim até que um dia o Cérebro quis mais, quis ter excedentes de recursos que lhe possibilitassem realizar todos os seus sonhos pessoais. Então ele pensou: “Ora, sou a cabeça disso tudo, sem mim nada funciona. Sou, sem dúvida, o órgão mais importante do corpo, já que todos precisam se submeter a mim.” Como ele queria se aproveitar ao máximo dos resultados do corpo, ele decidiu que seria mais justo se os recursos do mesmo fossem redistribuídos de acordo com a importância que ele atribuía a cada parte do organismo. Como ele dava as ordens, determinou que ele ficaria com uma proporção maior dos recursos do corpo. Mas para isso, ele precisaria tirar recursos dos demais.

Ele então resolveu começar retirando recursos de Esfíncter. O Cérebro viu na degradante tarefa do Esfíncter, algo menor: “uma parte do corpo como o Esfíncter não precisa de muito para viver, ele vai aceitar passivamente a falta de recursos e sua tarefa é tão insignificante que não fará diferença diante de um organismo tão belo e tão bem dirigido.”

Realmente o Esfíncter não reagiu, se sentia menor, mas a falta de recursos diminuiu seu ímpeto pelo trabalho. Deixava passar as coisas com mais facilidade. Assim foi até o dia em que o relaxamento do Esfíncter começou a impossibilitar a ação do corpo em suas atividades normais, dificultava a absorção de recursos, fazia o corpo ter que permanecer parado ou se limpando por longos períodos e isso levou o corpo a um nível de degradação tal que a saúde desapareceu.

O Cérebro não conseguia mais fazer nada além de lidar com os resultados do afrouxamento do Esfíncter. Ele tentou trocar as células, tentou treina-las, mas nada funcionava. O relaxamento era total.

Como era de se esperar, o Cérebro não percebeu seu erro, simplesmente culpou o Esfíncter, o chamava de inútil, incapaz e pressionava cada vez mais o esfíncter, ao mesmo tempo em que tirava cada vez mais recursos, tentando fazê-lo trabalhar, sem que o cérebro perdesse o nível de recursos que demandava. Foi assim, até que o corpo se esvaiu em m*rda sobre um vaso sanitário.

Moral da história…..
Quando o “Cérebro” quer ganhar muito, a única coisa que sai do corpo é M*RDA!

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
Top