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A metáfora do carrinho de cachorro quente

Ao ler uma notícia da Folha de São Paulo hoje, me deparo com a seguinte frase: “Dilma Rousseff reiterou que a inflação está sob controle, mas reconheceu que “não está tudo bem” em relação aos preços.” Até onde me lembro, inflação em economia, tem relação direta com os preços ou será que ela se referia à inflação cósmica?

Pensei na hora: “está aí uma frase típica de quem não tem a menor idéia do que está falando.”

Ok… Nada surpreendente para uma colocação vinda da presidente Dilma.  A aversão ao significado dos números e a lógica sofista dominam seu raciocínio, completamente desconectado da realidade. Nos últimos anos, temos visto diariamente este tipo de argumentação infeliz e o pior, ações de mesma natureza. Com esta evidente falta preparo e um discurso mais ideológico do que propriamente técnico ou científico, travaram a economia e não deixaram legado produtivo algum. Pelo contrário, estamos saindo desta gestão macarrônica com uma produtividade relativa menor do que a que tínhamos há 10 anos. Como a própria presidente diz na entrevista citada, os investimentos foram negligenciados no país desde o governo passado, nos legando agora uma verdadeira “Herança Maldita”.

Como isso aconteceu? Pois bem, vou usar uma metáfora para explicar aos menos letrados em economia. O que a nossa atual governantA nos deixou (além do assassinato do português) é um cenário como o de uma família onde o pai, vendedor de cachorro quente, em vez de investir sua poupança no negócio para ampliar a qualidade de vida da família, resolve tentar alcançar este objetivo aplicando o dinheiro de outra forma.

Começa comprando um monte de quinquilharias para os filhos… Iphone, TV de 55″, carro, tudo parcelado em 500 prestações mensais… Este mesmo pai começa a dar uma mesada para que os filhos menos abastados não precisem trabalhar e possam curtir a vida. A mãe continua trabalhando como diarista, mas começa a fazer corpo mole, já que o pai está torrando tudo como se já fosse milionário…

O pai, vendo a conta baixar, começa a tentar mudar a forma de fazer as contas, porque acredita que o problema não é a gastação desenfreada de recursos, desalinhada com a geração dos mesmos, mas sim o jeito que se faz as contas. Começa mudar de nome as coisas ruins para amenizar, e se mata de trabalhar para tentar compensar. Mas quanto mais ele faz isso, pior fica. Ele precisa de novos recursos para continuar trabalhando, mas mal consegue pagar a conta de luz. Isso porque, a Família gastou toda sua poupança com as quinquilharias e as mesadas, mas deixou de investir no principal… O carrinho de cachorro quente.

Percebendo a situação difícil, começa a tomar o dinheiro da mãe para cobrir os rombos. Esta, desanima ainda mais de trabalhar, deixa as diárias. O pai, já cansado, não rende a mesma coisa… O número de lanches vendidos empaca, mas as contas sobem… O pai começa a limpar até o “cofrinho” dos filhos para sustentar as contas…. Bom… acredito que mesmo os menos letrados já entenderam onde isso vai dar…

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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