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A fábula da Anta “endinheirada”

O tesouro nacional acaba de divulgar que em 2013 a dívida pública brasileira atingiu R$ 2,12 trilhões de reais, seu recorde histórico. Aí pergunto… Alguém já parou para pensar que teremos que pagar esta conta e o governo que fez esta dívida estratosférica usou este dinheiro para financiar consumo e não produção?

Querem ter uma ideia da enrascada que estamos? Vou contar uma Fábula.

A Anta vendia pipoca na frente de uma escola. Tinha um fogareiro, e uma panela para exercer seu trabalho, uma estrutura bem básica e pouco produtiva que lhe rendia perto de mil selvas (unidade monetária local). Ai pensou: “se eu qualificar meus filhos e construir um bar aqui na frente, podemos ganhar juntos um bom dinheiro para sustentar a casa.”

Com esta ideia em mente ela convenceu um grupo de Ratos a emprestar dinheiro com um juros camarada. Mesmo tendo uma renda familiar não muito grande, a Anta pegou 300 mil selvas em seu nome e de seus filhos, sob argumento de dar uma vida melhor para eles.

Ao chegar em casa e já se sentindo mais rica, a Anta resolveu agradar seus filhos com este dinheiro. Para reafirmar seu poder de brilhante chefe de família, decidiu reformar a sala de TV. Colocou uma TV de 84″, com “cadeiras do papai” e contratou um mês do melhor plano de TV a cabo, para que seus filhos e convidados da Selva pudessem assistir ao melhor do futebol mundial.

De cara, também instituiu uma mesada para cada filho mais pobre, mas não fez nenhuma exigência relativa à sua qualificação ou preparo dos mesmos para ajudar nas contas da casa. Como se não bastasse, ela decidiu também subsidiar os desejos de todos os seus filhos com este dinheiro, facilitou a compra de carros, reformas de quarto e tudo mais. Não contente, também resolveu emprestar dinheiro, praticamente a fundo perdido, para alguns vizinhos melhorarem a sua garagem. 

Ao ver aquele mundo maravilhoso que havia criado, a Anta se sentiu muito poderosa e decidiu tirar férias em Portugal com a filharada mais próxima, onde se hospedou em um bom hotel e comeu bacalhau no melhor restaurante local.

Enquanto isso, alguns de seus filhos perceberam que o dinheiro dos empréstimos estava acabando e as dívidas só faziam crescer, mas a família continuava tendo apenas uma panela e um fogareiro para ganhar a vida…

O resto da história…. Vocês podem imaginar….

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645
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