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A destruição do Brasil que trabalha, ao longo da era PT

Trabalho

Os aumentos no salário da população são um dos principais motes de propaganda partidária. Discussões sobre a distribuição de renda, salário mínimo, melhoria do salário médio e seus benefícios na qualidade de vida do trabalhador, são comuns no dia a dia dos embates políticos do país. Na atual conjuntura não é diferente. O atual governo brasileiro e seus seguidores, defendem com unhas e dentes que o partido da situação melhorou a qualidade de vida do trabalhador, por meio da elevação dos salários e maior acesso a bens. Mas será isso um fato real?

Pois bem, na verdade a era PT foi marcada pela destruição do salário médio e a degradação do trabalho e é isso que me proponho a mostrar por aqui, de maneira simples e acessível. Comecemos apreciando a evolução do salário médio mensal do brasileiro ao longo dos últimos 10 anos. O gráfico a seguir ilustra a evolução nominal do salário médio, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE.

Evolução do Salário

Ao analisar o gráfico acima, muitos podem se iludir com o salto de 44,11% ocorrido neste período. De fato, não se pode negar que o salário médio do brasileiro saltou de R$ 1.197 em 2004 para R$ 1.725 em 2014 e é com este salto que o governo conta para mover sua poderosa máquina de propaganda e iludir milhões de brasileiros com o discurso de que foi quem mais fez pelo trabalhador. Entretanto a palavra nominal é que configura a armadilha desta série, para aqueles menos familiarizados com economia e finanças.

Porque digo isso? Pois os dados nominais não levam em consideração a perda de valor do dinheiro ao longo do tempo, refletida pela inflação do período. Ou seja, uma série com dados nominais está comparando coisas diferentes, já que R$ 1725 em 2004, compraria muito mais bens do que o mesmo valor em 2014. Para realizar uma comparação adequada seria necessário considerar a inflação no período, trazendo todos os valores a valor presente.

Pois bem, e quanto foi a inflação neste período?

Há várias formas de se medir a evolução dos preços em uma economia. A mais consistente e confiável delas, é um índice denominado Deflator Implícito do PIB. Diferente dos índices tradicionalmente adotados pelo governo (que trabalham com cestas restritas de consumo), este índice leva em consideração os níveis de preços de toda a economia, excluindo o preço dos produtos importados, sendo o preferido para mensurar a inflação nas economias desenvolvidas.

O IBGE também calcula o deflator implícito do PIB, cuja evolução entre o final de 2004 e o final de 2014 foi de 102,41%. Basicamente, isso significa que para comprar os mesmos bens que um trabalhador comprava com R$ 1.197 em 2004, ele precisaria hoje de R$ 2.422. Logo de cara já fica evidente que aquela idéia de que o Partido dos Trabalhadores melhorou a vida do proletariado não passa de uma falácia, construída para iludir a grande massa da população desinformada. Com base nos números apresentados, a simples manutenção do poder de compra do salário exigiria que o salário médio fosse hoje de R$ 2422 em detrimento dos R$ 1725 atingidos neste período, ou seja, O PT LEGOU AO BRASIL UMA DESTRUIÇÃO DE 28,78% DO SALÁRIO MÉDIO.

Alguns podem se perguntar, mas e o Salário Mínimo? De fato o salário mínimo apresentou um ganho real de 37,57% neste período, mas às custas de uma pesada degradação do trabalho em geral. Muitos devem estar se perguntando, mas isso não é bom? A resposta seria depende… Se este ganho fosse acompanhado, no mínimo, de uma manutenção dos níveis de ganhos reais das demais faixas, estaríamos falando de um enriquecimento geral da população, que representaria um aumento do salário médio do trabalhador. Mas o que estamos vendo é o declínio da média, o que implica no empobrecimento dos trabalhadores, tomados pela média.

Outro ponto importante é que este aumento teria que ser acompanhado de um aumento na produtividade do trabalho, o que não aconteceu nos últimos períodos. O que isso significa? Que o salário mínimo paga hoje mais do que muitas pessoas podem repercutir em produtividade do trabalho. O reflexo é que muitos que ganhavam acima do salário mínimo, hoje encontram-se nivelados por ele e muitos que ganhavam abaixo, estão definitivamente excluídos do mercado de trabalho, levando aos mais de 20% de desocupação REAL vistas no Brasil (lembrando sempre que nosso índice de desemprego não representa nem de longe o desemprego REAL, como é bem explicado aqui).

Então o que estamos assistindo hoje no Brasil é que houve um empobrecimento da classe trabalhadora, que em geral está ganhando 28,78% menos. Pessoas que antes ganhavam acima do salário mínimo, hoje ganham próximo dele e mesmo com os ganhos reais do salário mínimo, estas pessoas perderam poder de compra ao longo dos últimos anos. Aquelas pessoas que antes ganhavam o salário mínimo, vêm sendo sistematicamente excluídas do mercado de trabalho, por não terem produtividade capaz de compensar os aumentos forçados pelo governo. Estas, por sua vez, estão sobrevivendo por meio de programas sociais que oneram a sociedade, sem apresentarem contrapartida produtiva. Além disso, não atingem com as bolsas os R$ 526 necessários para compensar a inflação sobre o salário mínimo no período, o que também às leva a um declínio da qualidade de vida que teriam se pudessem trabalhar obtendo remuneração ao valor corrigido meramente pela inflação.

Em síntese… quem trabalha está tendo que trabalhar mais, para compensar a necessidade de sustentar a grande massa de excluídos pelas políticas que degradaram a produtividade média do trabalho, ao mesmo tempo em que está vivenciando uma degradação de seu poder de compra e de sua qualidade de vida. Ao longo do tempo, isso é especialmente grave, visto que tende a comprometer ainda mais a produtividade, como pode ser visto aqui.

Para concluir, cabe ressaltar que ainda não temos representado nestes números o declínio econômico vivido em 2015, quando acabou a “gordura” que o país ainda tinha para queimar. Com a adição da crise, este retrato cruel da destruição do trabalho no Brasil deve se tornar ainda evidente. A expectativa é de que o salário médio continue em declínio e mais de 2.2 milhões de empregos formais sejam perdidos em 2016, de certa maneira, fruto das políticas desastradas do atual governo, que negligenciam a produtividade.
Em suma, o que estamos assistindo, agora com uma clareza cristalina, é a destruição do Brasil que trabalha… ironicamente, causada pelo próprio Partido dos Trabalhadores.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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