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A derrota do progressismo e as máscaras caídas

Diante dos movimentos populares e dos resultados eleitorais que têm mostrado o esgotamentos dos modelos progressistas, a nova onda dos grupos que seguem esta doutrina consiste em atacar a democracia… Sempre que contrariados, os “Guardiões das Virtudes” apontam o dedo para a sociedade e a repreendem, por não concordarem com suas fantasias ou com a forma com a qual os mesmos acreditam que os recursos produzidos por cada um devam ser usados. Mas as frequentes reações destes movimentos aos resultados da própria atividade democrática, dizem mais sobre estes movimentos do que sobre o povo para qual seus membros apontam os dedos.

Diante do colapso de suas idéias, são incapazes de reconhecer próprio fracasso, a própria ignorância e a própria incapacidade de entender o mundo que os cercam. Mesmo diante da aversão generalizada às suas idéias, continuam com seus discursos de donos das virtudes éticas e morais, como se estas fossem absolutas e apenas sua concepção de justiça fosse válida, ainda que a maioria viva dentro de outra concepção de justiça. Em um ato autoritário, responsabilizam a sociedade por suas idéias mirabolantes e irresponsáveis não darem certo. Responsabilizam as pessoas comuns por não acreditarem mais em suas mentiras e fantasias. Consideram antidemocrático tudo que a própria democracia produz de reação às suas concepções de mundo.

Diante da crescente aversão às suas pregações, quase religiosas, estes movimentos estão em polvorosa. Estão chamando de fascistas os que não aceitam mais o apego à estupidez e ao vitimismo, enquanto virtudes. Tentam impor à democracia o rótulo que a eles pertence, por seu autoritarismo moral. Não percebem que suas idéias estão agonizando por não serem racionais, por não serem pragmáticas, por não resolverem os problemas reais da maioria das pessoas que, em seu dia a dia, estão sentindo os efeitos nefastos que o vitimismo desmedido tem trazido para a sociedade.

Insistem em tentar vender suas idéias fraudulentas. Apelam para o “coração” e as virtudes morais das quais dizem deter o monopólio, mas não percebem que a máscara de seu discurso caiu. Que as pessoas finalmente perceberam que estes movimentos não são os “Guardiões da Virtude”. Pelo contrário, não passam de manipuladores que desconhecem a realidade da maioria esmagadora da população que dizem defender, seus desejos, seus objetivos de vida, suas inseguranças. Pior, que sacrificam o próprio amalgama social em seus experimentos destrutivos e sem sentido, criando situações que dificultam a convivência entre grupos com interesses divergentes.

Não reconhecem que o “coração” autoritário dos movimentos de esquerda não mais convence aqueles aos quais é imposto pagar por seus projetos mirabolantes. Não percebem que são uma minoria PRIVILEGIADA que se utiliza do discurso das virtudes morais e da defesa dos mais vulneráveis, para manter sua zona de influência, enquanto suas idéias destróem exatamente aqueles que dizem defender. Uma minoria que, na ânsia de limpar a própria consciência, decidiu fazer isso com o esforço e o sofrimento de outros, como se defender a injustiça contra os mais fortes, possibilitasse a resignação pelas injustiças que os próprios progressistas cometem contra os mais fracos.

A eleição de Trump ou de Crivella são tragédias? Sim, a tragédia representada por vermos outro tipo extremismo de cunho ideológico prosperar. Mas elas também marcam a ferro um sinal de que o povo percebeu que a maioria desses idólatras da grande religião do século XXI, representada pelo progressismo, está desconectada da realidade. Ela mostra que o povo vem, pouco a pouco, se cansando de ser cobaia destas experiências antiéticas e imorais dos intelectuais de bistrô.

Enfim, estes resultados, em si, não me deixam preocupado com a sociedade ou seus rumos, como muitos agentes da esquerda teimam em afirmar. Entendo claramente que não foi Trump (que sequer tinha apoio integral em seu partido) ou Crivella que ganharam estas eleições, mas sim a crescente aversão ao progressismo que, ao sucumbir agonizante, deixou uma lacuna que não pôde ser preenchida de imediato… Uma derrota que, de quebra, escancarou todo o autoritarismo e a ignorância que ainda residem enraizados, no cerne deste movimento.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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