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7 imagens que mostram o que acontece quando o salário mínimo fica alto demais

Uma das discussões que gera maior controvérsia no mundo da economia e do trabalho é aquela que diz respeito à remuneração. Como tudo que envolve o conceito de justiça, esta problemática é pauta de argumentações apaixonadas, mas quase nunca amparadas pela lógica e a racionalidade. Um exemplo desta problemática pode ser vista nos diversos embates sobre o salário mínimo.

A defesa tradicional do salário mínimo consiste em dizer que o mesmo é necessário para que garantir que o empregador não vá pagar abaixo do mínimo necessário para a subsistência do empregado. Segundo os defensores desta idéia, se fosse possível pagar abaixo do mínimo, o mercado seria incapaz de regular os salários e o poder dos empregadores seria usado para que os mesmos rebaixassem o salário dos empregados a níveis de miséria.

Entretanto, esta argumentação é duplamente falaciosa. Primeiro porque se a afirmação de que o mercado é incapaz de regular os salários fosse verdadeira, o que poderia levar os salários para níveis miseráveis na ausência de um mínimo, então o que veríamos seria um cenário onde todos os salários estariam estabilizados no mínimo e não uma condição de enorme diversidade, como vemos na prática. Por sinal, é exatamente porque o mercado é um bom regulador dos salários que os aumentos forçados do mesmo podem levar exatamente ao efeito contrário do desejado pelos defensores da prática de regulamentação desta importante variável: a exclusão dos mais vulneráveis.

Isto porque, ninguém irá despender com um trabalhador uma remuneração que supere sua produção. Deste modo, o mínimo necessário para que um empregador se sinta compelido a contratar alguém é que esta pessoa seja capaz de produzir o suficiente para cobrir seu salário, os riscos da operação, o custo de oportunidade e mais todo o dispêndio tributário (inclusive sobre os salários). Caso a remuneração cobrada pelo trabalho supere esta soma, o resultado esperado não é a tão esperada justiça social, mas aquilo que é mostrado pelas sete imagens a seguir:

Substituição dos caixas na rede McDonald's
Substituição dos caixas na rede McDonald’s.

 

Substituição dos sinalizadores por bonecos nas rodovias.
Substituição dos agentes sinalizadores por bonecos nas rodovias.

 

Substituição dos caixas na rede Savegnago.
Substituição dos caixas na rede Savegnago.

 

Substituição das empilhadeiras tradicionais no estoque da Amazon.
Substituição das empilhadeiras tradicionais no estoque da Amazon.

 

Uso de máquinas para trabalhos menos qualificados na construção civil.
Uso de máquinas para trabalhos menos qualificados na construção civil.

 

Sistema que substitui o trabalho manual de ordenha na Dália Alimentos.
Substituição do trabalho manual de ordenha na Dália Alimentos.

 

Manifestação de desempregados em Portugal.
Manifestação pelo desemprego em Portugal.

Este tipo de implicação vale não só para as imposições do salário mínimo, mas para a imposição de todo e qualquer tipo de piso salarial que viole a relação entre produtividade e onerosidade do funcionário, inclusive aquela relacionada ao custo de outras oportunidades, como a automação. Diante deste tipo de violação, ou o empregado será substituído (mais provável) ou a empresa irá à ruína, gerando desemprego e legando o indivíduo a uma condição ainda pior do que aquela em que se encontraria, diante de uma redução do salário compatível com seu potencial de geração de riqueza.

Basicamente, o que a prática ilustrada por essas imagens nos mostra é que não se pode aumentar salários à força, por meio de uma simples canetada. É preciso contrapartidas que gerem a natural recomposição salarial. Estas contrapartidas podem ser fruto de maior qualificação do trabalho, da redução do risco ou ainda da redução do ônus do próprio governo sobre a produção. Entretanto, o que vemos é exatamente o contrário, o aumento do ônus, associado a uma pressão para um aumento do salário, sem contrapartida produtiva ou econômica de nenhum tipo.

O pior disso tudo é que, diferente do que pregam os defensores deste tipo de intervenção, são exatamente os mais vulneráveis que acabam sendo atingidos pelos aspectos negativos deste tipo de regulamentação… Aqueles que possuem menor produtividade e tendem a ter seu resultado superado pelo seu custo para a empresa, são exatamente os mais jovens e os menos qualificados que se tornam as primeiras vítimas do legado do desemprego. Curiosamente, este efeito não é ruim para todos, visto que, no longo prazo, aumenta o espaço para os indivíduos mais qualificados que, muitas vezes, acabam até melhor remunerados, aumentando ainda mais o abismo social, principalmente quando as oportunidades de qualificação são absurdamente restritas, como no caso brasileiro.

Não vou entrar aqui no mérito dos benefícios de termos boa produtividade e oportunidade de qualificação para uma grande massa, permitindo a substituição do trabalho menos qualificado… A questão aqui trazida é especificamente as consequências da política de salário mínimo como instrumento de justiça social. Apesar desta ser uma constatação simples e intuitiva (ninguém racional vai gastar com um funcionário mais do que ele produz em contrapartida), esta matemática elementar parece ser sistematicamente ignorada por governos e sindicalistas que vêm no aumento forçado do salário uma forma de tentar compensar as desigualdades provocadas pelo ônus imposto pelo próprio governo e pela ausência de qualificação dos indivíduos. É preciso expor a fragilidade desta lógica nefasta que sustenta a doce ilusão daqueles que dizem lutar pela pela igualdade e o fim da miséria, enquanto ajudam a construí-las.

Leonardo Augusto Amaral Terra
Leonardo Augusto Amaral Terra
Mestre e Doutor em ciências pelo programa de Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo (FEARP - USP). Possui MBA executivo em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e Graduação em Administração de Empresas pela FEARP - USP. Atua como professor, pesquisador e consultor na área de estratégia e desenvolvimento organizacional, explorando os princípios que regem os sistemas socioeconômicos por meio da matemática do caos e da epistemologia sistêmica e suas aplicações no processo estratégico e nas interações sistêmicas das organizações. Vencedor do West Churchman Memorial Prize em 2014.
http://lattes.cnpq.br/3022429953017645

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